Lineu Andrade de Almeida, diretor técnico da Saerp, explica o que são as bases e como serão os novos reservatórios
O abastecimento de água em Ribeirão Preto segue como problema recorrente, segundo reclamações diárias recebidas pela população. Em resposta, a Saerp iniciou um amplo programa de setorização do sistema de distribuição que prevê a construção de novos reservatórios e mudanças na operação para reduzir perdas e melhorar a gestão.
O que é a setorização e por que ela importa
Em entrevista à CBN, Linéu Andrade de Almeida, diretor técnico da Saerp, explicou que a falta de setorização — em que grande parte da produção vai diretamente para a rede em vez de passar por reservatórios — é um dos principais entraves do abastecimento. “Hoje, quase 70% da nossa produção injeta direto na rede. Apenas 30% passa por reservatório antes da distribuição”, afirmou. Segundo Linéu, a mudança prevê que os poços passem a encaminhar água para reservatórios montantes, que então farão a distribuição para cada setor, melhorando o controle operacional e a gestão de perdas.
Obras, cronograma e financiamento
A Saerp anunciou a conclusão das bases de reservatórios em áreas de abastecimento dos bairros Orestes Lopes de Camargo, Quintino, Facé I, Quinta da Primavera e Bomfim Paulista. Esses empreendimentos integram um contrato iniciado em setembro de 2023, com previsão de entrega das seis primeiras unidades em setembro de 2024. O projeto mais amplo contempla a criação de 56 setores de abastecimento, cada um com reservatório e sistema de distribuição dedicado, e tem previsão de conclusão total até o fim de 2025.
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O programa conta com financiamento da Caixa Econômica Federal, na ordem de R$ 70 milhões, complementado por recursos próprios da Saerp estimados em cerca de R$ 150 milhões. Além dos reservatórios, o pacote inclui a implantação de DMC (distritos de medição e controle), que detalharão os setores em subáreas para monitoramento e gestão das perdas. O estudo e o projeto de repinamento da setorização começaram neste mês de abril, com empresas já contratadas para parte das frentes de trabalho.
Impactos no dia a dia do abastecimento
Linéu ressaltou que, embora as obras constituam a base estrutural para a melhoria, a operação de abastecimento é contínua e sujeita a eventos pontuais, como vazamentos, queimas de bombas e rupturas de rede. “A operação é 24 horas por dia, 365 dias por ano. Esses eventos são intermitências pontuais e, em poucas horas, costumam ser resolvidos”, disse. A expectativa da Saerp é que, ao concluir a setorização e instalar os sistemas de medição, seja possível reduzir significativamente as perdas e tornar o abastecimento mais estável em toda a cidade.
Enquanto as obras avançam nas áreas já citadas e novas licitações são preparadas, a empresa afirma manter a rotina de reparos e a comunicação com os moradores para minimizar impactos e acelerar a adaptação do sistema.



