Dados foram apresentados à Agência de Águas do Estado de São Paulo; Geólogo, Mateus Simonato, comenta
A cidade de Ribeirão Preto contratou em 2024 um estudo que utiliza inteligência artificial para avaliar o nível de comprometimento das reservas subterrâneas do Aquífero Guarani. O objetivo é analisar a capacidade de exploração sustentável dessa fonte hídrica, Saerp apresenta resultados de estudo que, fundamental para o abastecimento do município.
O levantamento é realizado pela Tritium Consultoria, contratada pela Prefeitura de Ribeirão Preto, em parceria com a Saerp (Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Ribeirão Preto) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (CDA – SP Águas), responsável pelas outorgas de perfuração de poços.
Metodologia do estudo: Segundo o geólogo Matheus Simonato, diretor da Tritium Consultoria, o estudo utiliza métodos consagrados na ciência, como levantamentos geológicos e dados dos 120 poços operados pela Saerp. Além disso, foram instalados mais de 30 equipamentos automáticos dentro dos poços para monitoramento contínuo dos níveis de água, com leituras a cada 15 minutos, gerando um grande volume de dados.
Leia também
Resultados parciais e importância do estudo
O projeto, com duração prevista de dois anos, está na metade do caminho. Até o momento, foi criado um modelo tridimensional da cidade que representa as camadas geológicas relevantes para a captação de água subterrânea. Ribeirão Preto é a maior cidade do país abastecida totalmente por água subterrânea, com uma extração média de 4 mil litros por segundo do Aquífero Guarani.
Aplicação da inteligência artificial e perspectivas futuras: A inteligência artificial é utilizada principalmente para o tratamento e organização do grande volume de dados coletados pelos equipamentos automáticos, por meio de algoritmos que auxiliam na modelagem numérica do aquífero. O estudo visa definir a quantidade sustentável de água que pode ser extraída, a melhor localização dos poços existentes e futuros, e orientar a gestão hídrica da cidade.
Além disso, o projeto poderá subsidiar decisões sobre a necessidade futura de captação de água superficial para complementar o abastecimento, bem como ações para redução de perdas no sistema.
Informações adicionais
O uso de metodologias semelhantes é comum em regiões com problemas de superexploração de aquíferos, como na Califórnia e Espanha, e em locais com gestão avançada de água subterrânea, como Alemanha e Dinamarca. O investimento em novos poços e tecnologias visa garantir a segurança hídrica e a sustentabilidade do abastecimento em Ribeirão Preto.



