Ambientalista Marcelo Pereira reforça que os recursos hídricos estão em condições críticas e que novos hábitos são necessários
O calor intenso no inverno tem aumentado o consumo de água em Ribeirão Preto, cidade privilegiada por ter acesso ao Aquífero Guarani. Para discutir o consumo consciente de água, entrevistamos o professor Marcelo Pereira.
Consumo Consciente: Mudança de Postura e Necessidade
Segundo o professor Pereira, o consumo consciente de água requer não apenas uma mudança de postura, mas também uma necessidade urgente de alteração de comportamento. As mudanças climáticas têm impactado a distribuição de água, exigindo uma responsabilidade coletiva, envolvendo cidadãos e poder público.
O Aquífero Guarani: Um Privilégio e uma Responsabilidade
Ribeirão Preto utiliza 100% da água do Aquífero Guarani para abastecimento. O professor explica que este aquífero funciona como uma grande esponja, com capacidade limitada de reposição. A retirada excessiva de água pode levar ao rebaixamento do nível do aquífero, comprometendo o abastecimento futuro. A gestão da água subterrânea é responsabilidade do DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica) e do Comitê de Bacia, sendo o SAERPE apenas um usuário, sujeito a licenças e estudos técnicos para a perfuração de poços.
Erros Comuns e Soluções
O professor destaca erros comuns no consumo inadequado de água, tanto no sistema de abastecimento (perdas na rede e poços diretos na rede de distribuição sem reservatórios) quanto no consumo individual (lavagem de calçadas com água, desperdício em piscinas etc.). A água de reúso, embora necessária, ainda não é uma prática comum, exigindo segregação de sistemas para evitar contaminação da água potável. Cidades abastecidas por água superficial são ainda mais vulneráveis à falta de chuva e precisam de ações ainda mais drásticas de economia de água. O aumento do preço da água pode ser uma medida necessária para frear o consumo excessivo.
A recente retomada da coleta seletiva em Ribeirão Preto, embora positiva, é vista pelo professor como uma medida superficial e ineficaz, sem uma política de resíduos sólidos consistente. A falta de planejamento pode levar a instabilidade para os trabalhadores da reciclagem, tornando a ação pontual e ineficaz.



