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Safra de café deve crescer 17% e queda no preço pode chegar ao consumidor em cinco meses

Projeção da Conab aponta produção de 66 milhões de sacas em 2026; em Franca, produtores celebram clima favorável, mas alertam para altos custos de produção.
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Projeção da Conab aponta produção de 66 milhões de sacas em 2026; em Franca, produtores celebram clima favorável, mas alertam para altos custos de produção.

A produção brasileira de café deve registrar um crescimento de até 17% na safra de 2026, impulsionada por condições climáticas favoráveis após quatro anos de perdas severas. De acordo com o primeiro levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o volume produzido no país deve ultrapassar as 66 milhões de sacas beneficiadas. Na região de Franca, principal polo da Alta Mogiana, o otimismo é sustentado pelas chuvas registradas entre agosto e setembro, que garantiram o desenvolvimento dos cafezais para a colheita que terá início em maio.

A expectativa de uma safra recorde já provoca reflexos no mercado de commodities, com uma redução de aproximadamente 15% nos valores da saca desde novembro. No entanto, o alívio no bolso do consumidor final não é imediato. Como a indústria trabalha com estoques reguladores, o repasse da queda de preços nas gôndolas dos supermercados costuma levar de quatro a cinco meses para se concretizar, dependendo do ritmo de reposição das empresas torrefadoras.

Desafios econômicos

Apesar do cenário produtivo positivo, os cafeicultores enfrentam obstáculos financeiros que ameaçam a rentabilidade do setor. Em entrevista ao Manhã CBN desta segunda-feira (9), o produtor Gabriel Oliveira destacou que as taxas de juros para financiamento do custeio e plantio estão entre 15% e 20%, patamar considerado proibitivo para muitos agricultores. O custo elevado de maquinários e defensivos agrícolas exige estratégias de venda cautelosas para que o faturamento da safra não seja totalmente consumido pelas dívidas operacionais.

Diferente de culturas como soja e milho, o café demanda um manejo pós-colheita mais complexo e oneroso, uma vez que o grão precisa ser entregue pronto para o consumo. Na região da Alta Mogiana, onde a maior parte das propriedades não utiliza sistemas de irrigação, a dependência do clima permanece como o principal fator de risco. Segundo Oliveira, embora os riscos climáticos para o ciclo atual estejam controlados, o produtor precisa comercializar a safra de forma escalonada para garantir a viabilidade econômica da atividade diante das incertezas do Plano Safra.

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