Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
A aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no Congresso, embora ofuscada pelo processo de impeachment, traz consigo mudanças que impactarão diretamente o bolso do consumidor. O retorno integral da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) para o próximo ano é um dos pontos de maior preocupação, dada sua influência sobre os preços dos combustíveis.
Impacto no Preço dos Combustíveis
O retorno integral da CIDE, um tributo cobrado sobre combustíveis fósseis como gasolina e diesel, inevitavelmente elevará os preços nas bombas. Considerando que os combustíveis já apresentam valores elevados, essa medida agrava ainda mais o cenário. A gasolina, por exemplo, pode ultrapassar os R$ 4,00 por litro, enquanto o diesel deve ter um aumento mínimo de R$ 0,20 por litro.
Efeitos na Produção e no Etanol
O aumento do diesel impacta diretamente os custos de produção, especialmente no setor agrícola, que depende fortemente desse combustível. Além disso, o aumento da gasolina abre espaço para que o etanol também eleve seus preços, seguindo a lógica de que o valor do etanol corresponde a 70% do preço da gasolina. Com a gasolina a R$ 4,00, o etanol poderia chegar a R$ 2,80 ou R$ 2,90 por litro.
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Outras Mudanças Tributárias
Além da CIDE, a LDO também prevê o retorno integral do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos e o aumento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Essas medidas, somadas, tendem a encarecer equipamentos e aumentar os custos de financiamento. A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), embora não descartada, ainda depende de votação para ser implementada.
Diante desse cenário, é crucial acompanhar de perto os desdobramentos e seus reflexos na economia.