Juliano Oliveira, professor de música, fala sobre o impacto das trilhas sonoras nos filmes; ouça a coluna ‘Sala de Música’
A coluna Sala de Música recebe Juliano de Oliveira, doutor em música pela USP, pianista, professor, compositor, criador da Orquestra Orfeus e da Casa Orfeus, autor do livro A Significação da Música de Cinema. Neste episódio, discutimos a relação entre música e cinema, explorando a complexidade da trilha sonora.
Trilha Sonora: Muito Além da Música
Juliano esclarece que o termo “trilha sonora” é genérico, englobando todos os sons de um filme – diálogos, efeitos sonoros ambientais (chuva, pássaros etc.) e a música. Para se referir especificamente à música, o ideal é usar o termo “trilha musical”. A música de um filme pode ser pré-existente ou composta especialmente para ele, dependendo do orçamento e da visão do diretor. Um exemplo clássico é 2001, Uma Odisséia no Espaço, que utilizou músicas clássicas preexistentes.
Música e Emoção: Um Casamento Perfeito
A música clássica é frequentemente utilizada em filmes por sua capacidade de evocar emoções específicas de forma codificada. Composições orquestrais oferecem uma ampla gama de ferramentas para expressar tristeza, tensão, mistério etc., algo mais difícil de se conseguir com outros gêneros musicais. A música, assim como o cheiro ou um lugar, evoca memórias afetivas, sendo fundamental em momentos importantes da vida, como casamentos, onde a Orquestra Orfeus, coordenada por Juliano, atua com frequência.
A Música de Cinema na Cultura Popular
A música de filmes pode transcender a própria obra, tornando-se mais famosa que o filme em si. A trilha de Cinema Paradiso, de Ennio Morricone, é um exemplo disso. Trilhas de desenhos animados, como a de Cavaleiros do Zodíaco, também possuem um forte apelo afetivo, criando conexões profundas com o público. A música é parte integrante da experiência cinematográfica, contribuindo significativamente para a emoção e o impacto da narrativa, às vezes até mesmo substituindo a imagem, como em momentos de silêncio expressivo, como na cena final de O Poderoso Chefão ou na explosão da bomba em Oppenheimer. A música de cinema é, portanto, um elemento fundamental da história do cinema, indissociável de sua evolução e impacto cultural.