Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Lis Canello
Mordidas são um comportamento comum na primeira infância, especialmente entre um e três anos de idade, frequentemente observadas em ambientes como o maternal e salas de aula. Embora a criança possa não ter a intenção de machucar, essa atitude pode assustar os colegas.
Por que as crianças mordem?
Especialistas apontam que morder é uma fase do desenvolvimento infantil, uma forma que a criança encontra para interagir, conquistar espaço e até mesmo dividir objetos com os outros. A pediatra Luciana Herrero, que orienta pais, ressalta que essa é uma preocupação comum, pois afeta outras crianças e, embora possa ser vista como uma atitude inocente, deve ser evitada. É parte de uma fase em que a criança é egocêntrica e tem dificuldade em se comunicar verbalmente, recorrendo a outras formas de expressar seus desejos, como puxar o cabelo, bater ou morder. Apesar de comum, não deve ser encarada como algo positivo, e a criança deve ser ensinada a evitar esse comportamento. Freud associa essa fase ao desenvolvimento oral. No entanto, se as mordidas se tornarem frequentes, é um sinal de alerta.
O papel da escola e dos pais
Quando as mordidas se tornam um problema recorrente, afetando a vida da criança que é mordida, é preciso repensar a situação. Andrea, mãe de uma criança que foi mordida diversas vezes na escola, chegou a tirar a filha da instituição por medo de que o problema se repetisse. Ela inclusive questionou a supervisão da escola, alegando que a frequência das mordidas indicava falta de atenção dos adultos responsáveis. Especialistas comportamentais destacam o papel crucial dos educadores nessa socialização. Luciana Herrero enfatiza que cabe à escola orientar os pais, mediando o conflito entre as crianças de forma clara. É fundamental que a escola comunique o ocorrido aos pais da criança mordida e, igualmente importante, aos pais da criança que morde, para que estes compreendam o que ela está tentando expressar através desse ato. Omitir a situação para evitar atritos é prejudicial, pois impede que o problema seja trabalhado abertamente. A escola deve atuar como mediadora, auxiliando tanto a criança mordida quanto a que tem o hábito de morder.
Como lidar com a situação
Se seu filho for mordido, não o incentive a revidar. Converse com ele, explicando que o colega não agiu por mal. Gradualmente, as crianças descobrirão outras formas de interagir e conviver em grupo de maneira mais harmoniosa.
Em um caso específico, uma mãe, após sua filha ser mordida repetidamente, formalizou uma queixa contra a escola, alegando negligência dos monitores. A instituição, por sua vez, não se manifestou sobre o caso.
É importante abordar a situação com calma e buscar soluções em conjunto com a escola, visando o bem-estar de todas as crianças envolvidas.



