Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nélson Rocha Augusto
O economista Nelson Rocha Augusto analisou as recentes oscilações no mercado financeiro brasileiro durante participação no programa Manhã CBN, Saiba como está o cenário econômico atual, destacando a queda das bolsas, a alta do dólar e a elevação das taxas de juros. Segundo ele, esses movimentos refletem um novo cenário econômico internacional, marcado pela recuperação da economia americana e pela expectativa do fim da política monetária expansionista nos Estados Unidos, que vinha mantendo juros baixos e alta liquidez.
Nelson ressaltou que, embora essa perspectiva ainda não tenha se concretizado, ela já provoca impactos nos mercados globais, evidenciando as fragilidades da economia brasileira. Entre os principais desafios apontados estão o crescimento baixo do Produto Interno Bruto (PIB), a inflação elevada e os gastos públicos considerados ineficientes, o que demanda ajustes na política econômica nacional.
Para conter a inflação, o Banco Central adotou medidas significativas, elevando a taxa básica de juros e intervindo no mercado cambial. Em uma semana, foram vendidos mais de 5,5 bilhões de dólares para evitar que a alta do dólar pressionasse ainda mais os preços. Essas ações refletem a insegurança dos agentes econômicos quanto ao futuro e explicam a volatilidade observada, com quedas acentuadas na bolsa e alta do dólar e dos juros.
Leia também
Sobre a política econômica brasileira, Nelson explicou que o chamado tripé macroeconômico — composto por metas de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante — está sendo testado diante do atual cenário. As recentes medidas indicam uma tentativa de reequilíbrio, e, embora a inflação esteja acima do desejado, não há risco de inflação explosiva ou de juros extremamente altos no curto prazo.
O economista enfatizou, porém, que é fundamental que o governo apresente um plano de ajuste fiscal em curto prazo para garantir a confiança dos mercados e evitar novas turbulências. Ele comparou a situação fiscal do país à de uma família que gasta mais do que ganha por muito tempo, o que gera problemas econômicos.
Contexto internacional e impacto nos mercados
A recuperação da economia americana e a expectativa do fim da política monetária expansionista nos Estados Unidos têm causado impacto nos mercados globais, afetando diretamente a economia brasileira. A redução da liquidez internacional e o aumento das taxas de juros nos EUA pressionam moedas emergentes, como o real, e provocam volatilidade nos ativos financeiros.
Fragilidades da economia brasileira: O crescimento do PIB brasileiro permanece baixo, enquanto a inflação continua elevada, dificultando a retomada do consumo e dos investimentos. Além disso, o governo tem realizado gastos públicos considerados ineficientes, o que agrava o desequilíbrio fiscal e limita a capacidade de resposta da política econômica.
Medidas do Banco Central para conter a inflação: Para enfrentar a pressão inflacionária, o Banco Central elevou a taxa Selic de forma significativa e interveio no mercado cambial com a venda de dólares, totalizando mais de 5,5 bilhões em uma semana. Essas medidas visam conter a alta do dólar e estabilizar os preços, buscando reduzir a volatilidade e preservar a credibilidade da política monetária.
Importância do ajuste fiscal para a confiança dos mercados: Nelson Rocha Augusto destacou que, para recuperar a confiança dos agentes econômicos, o governo precisa apresentar um plano claro de ajuste fiscal em curto prazo. A ausência de medidas concretas pode levar a novas turbulências nos mercados e dificultar a retomada do crescimento sustentável.
Entenda melhor
O tripé macroeconômico brasileiro — metas de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante — é fundamental para a estabilidade econômica do país. A recente volatilidade nos mercados indica a necessidade de reafirmar esse compromisso para garantir a confiança dos investidores e a saúde da economia.