Historiador Alexandre Sumelli conversou com a CBN Ribeirão
O dia 9 de julho é feriado no estado de São Paulo para celebrar a Revolução Constitucionalista de 1932, Saiba como foi a Revolução Constitucionalista de 1932, um movimento armado que marcou a história política e social do Brasil. A revolução foi uma resposta direta à Revolução de 1930, quando Getúlio Vargas assumiu o poder de forma autoritária, suspendendo eleições e nomeando interventores para governar os estados, concentrando poderes executivos e legislativos e adiando a convocação de uma nova constituição.
Contexto histórico e motivações: Após a Revolução de 1930, Saiba como foi a Revolução Constitucionalista de 1932, Vargas governou o Brasil por meio de interventores estaduais, eliminando o poder legislativo local e centralizando o comando. Essa situação gerou insatisfação, especialmente em São Paulo, onde a população perdeu o direito ao voto e à escolha direta de governadores e presidente. Segundo o historiador Alexandre Sumelha, especialista no assunto e comentarista da Rádio CBN, a revolução foi motivada pela exigência de uma nova constituição e pelo restabelecimento da democracia.
Em São Paulo, o primeiro interventor nomeado por Vargas foi o tenente João Alberto, ligado à Coluna Prestes, que acabou desagradando o governo federal. Posteriormente, Pedro de Toledo assumiu o cargo e aderiu à causa paulista, sendo aclamado governador pelo povo, o único caso desse tipo na história do estado.
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Desenvolvimento do conflito: O movimento é considerado o maior evento bélico cívico da história de São Paulo e do Brasil, com ampla participação popular e engajamento da sociedade em prol da constitucionalização e do retorno à democracia. A revolução teve início na noite de 9 de julho de 1932 e se estendeu até 2 de outubro do mesmo ano, com cerca de três meses de combates intensos, embora algumas resistências tenham persistido por mais dez dias.
Os paulistas esperavam o apoio dos estados do Rio Grande do Sul e Minas Gerais para avançar sobre o Rio de Janeiro, então capital federal, e destituir Vargas. No entanto, Vargas conseguiu anistiar dívidas desses estados, evitando que aderissem ao movimento paulista. Assim, São Paulo ficou isolado e precisou se defender dos ataques das tropas desses estados.
Os principais focos de combate ocorreram nas fronteiras do estado, especialmente na divisa com o Paraná, para conter tropas gaúchas, e na região de Guaratinguetá, para conter tropas do Rio de Janeiro. Cidades como Ribeirão Preto serviram como bases para as tropas paulistas, oferecendo alojamento e suporte logístico. Na capital, o Mercado Municipal chegou a ser utilizado como hangar para aviões da revolução, e havia baterias antiaéreas espalhadas pela cidade.
Impactos e consequências: Os números sobre as mortes nos combates variam bastante, com estimativas que vão de 934 a 2.200 mortos, sem precisão exata. Essa variação se deve à dificuldade de controle dos registros, já que muitos combatentes não eram tropas regulares e se movimentavam conforme a necessidade, sem documentação formal. Muitas famílias ainda buscam comprovar a participação e a perda de entes queridos para obter pensões.
O feriado de 9 de julho foi instituído em 1997 pelo então governador Mário Covas, aproveitando um decreto federal que autorizava os estados a criarem feriados comemorativos. A data foi escolhida por seu significado histórico para o estado de São Paulo, homenageando o movimento cívico e militar que buscou restabelecer a democracia no país.
Legado e importância histórica: A Revolução Constitucionalista de 1932 representa um marco na luta pela democracia no Brasil, destacando a resistência do estado de São Paulo à centralização autoritária do governo federal na década de 1930. O movimento contou com ampla mobilização popular, envolvendo autoridades, forças públicas e civis, que se uniram em torno do ideal de restabelecer a constituição e a democracia.
Embora a revolução tenha terminado sem o apoio esperado de outros estados e não tenha conseguido derrubar o governo de Vargas, ela consolidou a pressão por mudanças políticas no país. O movimento é lembrado como um símbolo da defesa da autonomia estadual e dos direitos democráticos.
Entenda melhor
A Revolução Constitucionalista de 1932 foi uma reação à ditadura instaurada por Getúlio Vargas após a Revolução de 1930, que suspendeu eleições e instituiu interventores nos estados, eliminando o poder legislativo estadual e centralizando o poder. O movimento contou com ampla participação da sociedade paulista, que se uniu em torno do ideal de restabelecer a constituição e a democracia, envolvendo autoridades, forças públicas e civis. Os combates ocorreram principalmente nas fronteiras do estado, como na divisa com o Paraná e na região de Guaratinguetá, com cidades como Ribeirão Preto servindo como base importante para as tropas paulistas. A revolução durou cerca de três meses e terminou sem o apoio esperado de outros estados. O feriado estadual foi criado em 1997 para homenagear esse movimento cívico e militar.



