Ouça a coluna ‘CBN Pet News’ com o especialista em bem-estar animal, Gelson Genaro
A domesticação canina: um processo de longa data que molda a relação entre humanos e cães
Origens da domesticação canina
A domesticação do cão é um processo que se estende por milhares de anos, com estimativas que variam de 9 mil a 500 mil anos. Duas teorias principais tentam explicar sua origem: uma sugere que a domesticação ocorreu em dois locais distintos, Europa e Leste Asiático, resultando na grande diversidade de raças; a outra aponta para o Crescente Fértil (Iraque, Líbano, Israel, Síria e Jordânia) como o local de origem. Comparando com a domesticação do gato (apenas 9 mil anos), fica evidente a diferença no tempo e na diversidade de raças resultante: enquanto existem cerca de 340 a 350 raças de cães, com tamanhos e características físicas amplamente variadas (de um Dog Alemão a um Píncher), a variedade de gatos é significativamente menor.
O impacto da domesticação na relação humano-cão
A domesticação moldou profundamente o comportamento canino. Ao contrário do gato, mais independente e solitário (provavelmente descendente do gato selvagem africano), o cão é um animal gregário, dependente do contato humano constante. Essa diferença explica, por exemplo, a maior propensão a ansiedade de separação em cães em comparação aos gatos. Evidências arqueológicas, como ossadas de humanos e cães enterrados juntos há 12 a 15 mil anos, demonstram a longa e estreita relação entre as espécies, iniciada com benefícios mútuos: os lobos se alimentavam de restos de comida, enquanto alertavam os humanos sobre predadores. Com o tempo, os cães passaram a desempenhar diversas funções para os humanos, de tração a guarda, moldando as raças ao longo dos anos.
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A domesticação canina na era moderna
Atualmente, nossa capacidade de intervenção na domesticação canina é maior do que nunca. A seleção genética, antes um processo lento e gradual, atrásra pode ser acelerada por meio de técnicas como inseminação artificial. O conhecimento em biologia molecular e embriologia permite uma intervenção mais precisa e eficaz. As preferências humanas também influenciam a prevalência de certas raças: cães de pequeno porte, por exemplo, têm se tornado mais populares devido à diminuição do espaço disponível nas moradias urbanas. Essa mudança de preferência demonstra como a relação entre humanos e cães continua a evoluir, refletindo as mudanças sociais e ambientais. Compreender o processo de domesticação canina é crucial para lidar com os desafios modernos, como a ansiedade de separação, e para garantir o bem-estar dos cães.