Ouça a coluna ‘CBN Sustentabilidade’, com Carlos Alencastre
O engenheiro Carlos Alencastre participou do programa Manhã CBN para discutir a importância da coleta seletiva de resíduos sólidos e seus impactos ambientais, Saiba mais sobre a coleta seletiva de resíduos sólidos, sociais e econômicos. Ele destacou que muitos desses resíduos são recicláveis e podem retornar à cadeia produtiva, gerando renda para trabalhadores e lucro para empresas.
Alencastre ressaltou que, no Brasil e em cidades como Ribeirão Preto, a coleta seletiva ainda é insuficiente. Ele explicou que o ser humano produz cerca de um quilo de lixo por dia, o que, em uma cidade com 620 mil habitantes, representa aproximadamente 620 mil quilos de resíduos destinados ao aterro sanitário diariamente. Esse destino onera o meio ambiente e os cofres públicos, que pagam pelo tratamento e disposição final do lixo.
Segundo o engenheiro, a coleta seletiva poderia reduzir significativamente esses custos e ainda gerar renda para quem trabalha com a reciclagem. No entanto, ele apontou que a coleta seletiva em Ribeirão Preto é incipiente e ocorre apenas em alguns bairros, o que demanda campanhas maciças de conscientização e organização em cooperativas para melhorar o sistema.
Alencastre também destacou o problema social relacionado à presença de catadores nas ruas, muitos deles crianças, que sobrevivem da coleta de lixo. Ele defende a organização desses trabalhadores em cooperativas para garantir melhores condições e maior eficiência na coleta seletiva.
Importância da separação correta dos resíduos
O engenheiro explicou que a coleta seletiva exige que os materiais estejam limpos para que possam ser reciclados. Papelão, latas e vidros sujos não são adequados para esse processo, o que reforça a necessidade de campanhas educativas para orientar a população sobre como separar corretamente os resíduos em casa.
Ele afirmou que a educação ambiental é fundamental para o sucesso da coleta seletiva e que as famílias precisam estar engajadas para que a iniciativa funcione de forma eficaz.
Exemplo internacional de incentivo à reciclagem: Alencastre citou o exemplo de algumas cidades na Alemanha, onde o sistema de coleta de lixo é dividido em dias específicos para resíduos orgânicos e recicláveis. Nesse modelo, os moradores pagam pelo peso do lixo orgânico descartado e recebem crédito pelo peso do material reciclável entregue. Esse incentivo financeiro estimula a redução do lixo orgânico e o aumento da reciclagem, beneficiando o meio ambiente e a economia local.
O engenheiro ressaltou que esse sistema promove a conscientização e o engajamento da população, que passa a reduzir o lixo pago e a coletar materiais recicláveis para obter retorno financeiro.
Cuidados especiais com resíduos perigosos
Além dos resíduos domésticos comuns, Alencastre destacou a importância de um sistema rigoroso para a coleta e reciclagem de resíduos perigosos, como pilhas, baterias e aparelhos eletrônicos. Esses materiais exigem destinação especial para evitar danos ambientais e à saúde pública.
Ele mencionou que algumas farmácias e supermercados já realizam a coleta desses resíduos e que campanhas para ampliar essa prática podem contribuir para um manejo mais adequado desses materiais.
Entenda melhor
A coleta seletiva é um processo que envolve a separação dos resíduos sólidos em diferentes categorias, como papel, plástico, vidro, metal e orgânicos, para facilitar a reciclagem e o reaproveitamento. A correta separação e destinação desses materiais contribuem para a redução do volume de lixo enviado aos aterros sanitários, diminuindo o impacto ambiental e gerando oportunidades econômicas para a população.
Além disso, a organização dos catadores em cooperativas pode melhorar as condições de trabalho e a eficiência da coleta, promovendo inclusão social e sustentabilidade.



