Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com Fernando Nobre
Framingham, uma pequena vila em Massachusetts com cerca de 70 a 75 mil habitantes, tornou-se um marco na pesquisa cardiovascular desde 1948. Um ambicioso projeto de saúde foi iniciado ali com o objetivo de identificar os fatores que mais contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Ao longo de mais de 60 anos, foram estudados hábitos e fatores de risco em mais de 60 mil pessoas, incluindo pressão alta, colesterol, diabetes, peso e tabagismo.
O Score de Risco de Framingham
Os estudos de Framingham permitiram criar um modelo para calcular o risco individual de uma pessoa desenvolver doenças cardiovasculares. O Score de Risco de Framingham, amplamente utilizado por médicos e disponível online, avalia o risco com base em características individuais. O colesterol, descoberto em 1815, é um dos principais fatores de risco para doenças do coração.
HDL e LDL: Os Dois Tipos de Colesterol
Em Framingham, foi demonstrado que níveis elevados de colesterol estão fortemente ligados a um maior risco de infarto. Existem dois tipos principais de colesterol: HDL (colesterol bom) e LDL (colesterol ruim). O HDL atua como um “detergente” nas artérias, ajudando a remover gorduras, enquanto o LDL contribui para a formação de placas de aterosclerose, que podem obstruir as artérias. O colesterol é essencial para o organismo, pois participa da produção de substâncias vitais, mas o excesso requer atenção médica. Cerca de 70-75% do colesterol é produzido pelo organismo, e o restante (25-30%) vem da alimentação.
Leia também
Estratégias para Controlar o Colesterol
Desde que Framingham demonstrou a importância do colesterol para a saúde cardiovascular, controlar seus níveis tem sido um desafio. Em 1989, foram descobertas as estatinas, uma classe de medicamentos que se tornou a principal forma de tratamento para pessoas com colesterol alto. Além dos medicamentos, o tratamento não medicamentoso é fundamental, incluindo atividade física, redução da ingestão de gorduras (especialmente as animais) e uma dieta com baixa ingestão calórica. Estudos têm demonstrado que o uso de estatinas reduz o risco de eventos como infarto.
Novas Abordagens Genéticas
Recentemente, uma nova abordagem para reduzir o colesterol tem sido proposta, baseada em princípios da terapêutica genética. Essa abordagem envolve a proteína PCSK9, que está relacionada ao aumento do LDL (colesterol ruim). A alteração genética para o bem visa diminuir a produção dessa proteína, reduzindo o colesterol ruim e, consequentemente, o risco de doenças cardiovasculares. Essa alteração genética, se consolidada, pode reduzir o colesterol ruim em até 80%, enquanto as estatinas reduzem em média 40%. Essa substância está em fase avançada de pesquisa e poderá estar disponível no futuro.
Manter uma boa qualidade de vida, com controle dos fatores de risco, continua sendo essencial para prevenir doenças cardiovasculares.



