Ouça a coluna ‘CBN Comportamento’, com Daniele Zeotti
O transtorno de pânico, antes conhecido como síndrome do pânico, é um transtorno de ansiedade caracterizado por medo intenso e mal-estar físico. Mas como identificar esse transtorno?
O que acontece durante uma crise?
Imagine que você se depara com um leão. Seu coração dispara, você sua intensamente, sua respiração acelera e você se prepara para fugir ou lutar. Essas são reações básicas de defesa. O coração acelera para bombear sangue rapidamente para o cérebro, permitindo decisões rápidas. A palidez ocorre porque o sangue se concentra nos músculos, preparando-os para a ação. A respiração rápida oxigena a musculatura e o cérebro. A sudorese excessiva ajuda a manter a temperatura corporal sob controle devido à descarga de adrenalina.
O problema surge quando essas manifestações ocorrem sem um desencadeante, como o leão. No transtorno do pânico, a pessoa experimenta crises de ansiedade aguda com todos esses sintomas físicos e um medo intenso de morrer, com a sensação de morte iminente, muitas vezes acreditando que está sofrendo um ataque cardíaco, que vai desmaiar ou enlouquecer.
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A boa notícia é que ninguém nunca morreu de uma crise de ansiedade aguda. Uma crise dura em média 20 minutos, que podem parecer intermináveis devido à intensidade dos sintomas.
Como diagnosticar?
Para diagnosticar o transtorno, a pessoa deve ter essas crises por pelo menos dois meses, com prejuízo nas atividades diárias, no trabalho e no convívio social. A pessoa pode começar a se isolar, com medo de sair de casa ou de estar em locais abertos ou cheios.
Como o transtorno apresenta muitas manifestações físicas, é importante descartar problemas cardíacos ou outras condições clínicas. O diagnóstico do transtorno do pânico é de exclusão, ou seja, é necessário fazer uma avaliação médica completa para descartar outras causas.
A pessoa geralmente procura diversos médicos até conseguir um diagnóstico, realizando vários exames que não apontam nenhuma alteração física. Se todos os exames forem normais, é hora de considerar a possibilidade de um transtorno mental, como o transtorno do pânico.
Tratamento e faixa etária
O transtorno do pânico não escolhe idade, cor, raça, credo ou situação econômica. Crianças também podem ter crises de ansiedade aguda, embora seja mais difícil identificar, pois elas podem expressar o medo de forma diferente, direcionando-o para objetos ou situações específicas.
O tratamento ideal envolve uma avaliação psiquiátrica completa, que pode incluir a análise de exames médicos e a solicitação de novos, para diferenciar o que é físico do que é psicológico. Existem medicações eficazes e seguras, com poucos efeitos colaterais e que não causam dependência, que podem trazer resultados em cerca de 30 dias. Além da medicação, a psicoterapia é fundamental para entender as causas do transtorno, lidar com o estresse do dia a dia e modificar as reações às dificuldades e frustrações da vida.
Em resumo, o transtorno do pânico é uma condição tratável que, com o diagnóstico e acompanhamento adequados, permite que a pessoa retome o controle de sua vida.