Ouça a coluna ‘Sustentabilidade’, com Carlos Alencastre
O abastecimento de água em Ribeirão Preto depende integralmente do aquífero Guarani, Saiba mais sobre o abastecimento de água em Ribeirão Preto, uma das maiores reservas de água subterrânea da América do Sul. Essa formação geológica se estende por cerca de 1.150 quilômetros quadrados, abrangendo quatro países sul-americanos — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — e oito estados brasileiros: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Segundo o engenheiro especialista em recursos hídricos Carlos Alencastre, o aquífero Guarani é constituído por rochas areníticas porosas que armazenam água em seus espaços internos, com uma espessura média entre 150 e 200 metros. Em Ribeirão Preto, a água é captada a aproximadamente 150 metros de profundidade e apresenta excelente qualidade, podendo ser consumida diretamente na boca do poço. Para garantir a potabilidade até as residências, a água recebe tratamento com adição de cloro e flúor, conforme as exigências do Ministério da Saúde.
A cidade possui mais de 600 poços destinados a diversos usos, dos quais 104 estão em operação para abastecimento público. No entanto, o desperdício de água é elevado, com perdas estimadas em cerca de 50%. Além disso, o consumo per capita na cidade chega a 400 litros por dia, valor que supera significativamente a média nacional, que varia entre 200 e 250 litros diários.
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O uso excessivo da água tem provocado o rebaixamento do nível do aquífero na região. Atualmente, esse nível está cerca de 60 a 70 metros abaixo do patamar inicial. A recarga natural do aquífero é lenta, e a retirada de água é aproximadamente 13 vezes maior que a reposição anual, configurando um processo insustentável. Estudos indicam que o aquífero, que antes abastecia o Rio Pardo, atrásra está sugando água do rio para compensar o déficit hídrico.
De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), existe risco de colapso no abastecimento de água em Ribeirão Preto nos próximos anos. Embora a previsão inicial de colapso para 2015 não tenha se concretizado, o cenário atual exige atenção urgente para reduzir perdas e consumo, garantindo a sustentabilidade do recurso hídrico.
Importância do aquífero Guarani: O aquífero Guarani é fundamental para o abastecimento de diversas regiões da América do Sul, sendo uma das maiores reservas de água subterrânea do continente. Sua extensão e volume de água armazenada são vitais para o fornecimento de água potável a milhões de pessoas, especialmente em áreas urbanas e rurais que dependem exclusivamente desse recurso.
Qualidade da água em Ribeirão Preto
A água captada do aquífero em Ribeirão Preto é de alta qualidade, considerada própria para consumo direto na boca do poço. Para garantir a segurança sanitária, a água recebe tratamento com cloro e flúor, seguindo as normas do Ministério da Saúde, o que assegura a potabilidade até as residências.
Desafios no abastecimento: O principal desafio enfrentado pela cidade é o elevado consumo de água e as perdas significativas no sistema de distribuição. Estima-se que cerca de 50% da água captada seja perdida, o que, aliado ao consumo per capita elevado, contribui para o rebaixamento acelerado do nível do aquífero. A retirada de água em ritmo muito superior à recarga natural coloca em risco a sustentabilidade do abastecimento.
Perspectivas futuras e medidas necessárias: Estudos recentes indicam a necessidade urgente de adoção de medidas para evitar o colapso no abastecimento de água em Ribeirão Preto. Entre as ações recomendadas estão a redução das perdas no sistema de distribuição, o controle do consumo per capita e a conscientização da população para o uso racional da água. A gestão eficiente dos recursos hídricos é essencial para garantir a disponibilidade da água para as futuras gerações.
Entenda melhor
O aquífero Guarani é formado por rochas areníticas porosas que armazenam água há milhares de anos. A recarga natural desse aquífero é lenta, o que torna imprescindível o controle rigoroso do uso para evitar a exaustão do recurso. O desequilíbrio entre a retirada e a reposição da água pode levar a impactos ambientais e sociais significativos, como o rebaixamento do lençol freático e a redução da disponibilidade hídrica para a população.



