Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com Fernando Nobre
O uso de vitaminas sempre foi um tema cercado de mitos. Muitos de nós, principalmente aqueles que já passaram dos 40 anos, lembram de suas mães insistindo no uso de vitaminas, acreditando que isso nos tornaria mais ativos e inteligentes. No entanto, essa crença, embora comum, nem sempre se sustenta em evidências científicas.
O Mito das Vitaminas C e E
Por muitos anos, grandes quantidades de vitamina C foram utilizadas sob diversos pretextos. Da mesma forma, a vitamina E foi promovida como protetora contra doenças cardíacas. No entanto, estudos bem conduzidos não confirmaram esses benefícios.
Análise Abrangente e Resultados Surpreendentes
Após analisar dados de mais de 400 mil participantes em estudos sobre suplementos vitamínicos, pesquisadores concluíram que esses suplementos não demonstraram benefícios claros, como a diminuição da mortalidade total ou a redução de doenças cardiovasculares e câncer. Em idosos, o uso de multivitaminas também não mostrou melhora nas funções da memória ou da fala. Resultados ainda mais preocupantes indicaram que o uso de beta caroteno, vitamina E e, possivelmente, altas doses de vitamina A, pode aumentar a mortalidade. Outros antioxidantes, como ácido fólico e vitaminas do grupo B, também não apresentaram benefícios evidentes.
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A Onda da Vitamina D
Atualmente, estamos vivenciando uma nova fase, marcada pelo uso indiscriminado de vitamina D. A dosagem de vitamina D tornou-se quase uma rotina, apesar de ser um processo complexo e sujeito a erros. Uma publicação recente em uma revista científica renomada concluiu que, em pessoas saudáveis, o uso de vitamina D não traz benefícios, mesmo em casos de leve deficiência. Segundo o Dr. Karl Marxan, da Suécia, a ideia de que a vitamina D é uma solução universal e que aumentar suas doses melhora a qualidade de vida está longe de ser verdade. Os efeitos benéficos propostos para sua ampla suplementação são contraditórios entre os estudos, embora possa ser útil em casos específicos e com critérios bem definidos.
Em resumo, o uso de complexos vitamínicos em geral e da vitamina D em particular deve ser restrito a pessoas com características bem definidas e necessidades claras, sempre sob prescrição e acompanhamento médico rigoroso.



