Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Lis Canello
Com o período de declaração do Imposto de Renda aberto, muitos contribuintes já se perguntam sobre a possibilidade de antecipar a restituição. No entanto, essa antecipação, oferecida por bancos como uma espécie de empréstimo, exige cautela. Consultamos o consultor contábil Eber Carlos de Carvalho para entender os caminhos e os riscos dessa operação.
Como Funciona a Antecipação?
Após a entrega da declaração, o contribuinte tem um crédito disponível na Receita Federal, que é pago em lotes a partir de julho, seguindo até dezembro. Os bancos, ao verificarem o comprovante de entrega da declaração com o valor da restituição, oferecem uma antecipação como um empréstimo, a ser quitado quando a restituição for liberada. Quanto mais rápido o contribuinte receber a restituição, menores serão os juros pagos ao banco.
A Taxa de Juros é a Chave
É crucial lembrar que o valor da restituição rende cerca de 1% ao mês na Receita Federal. Enquanto isso, os empréstimos bancários podem ter taxas a partir de 3,5% ou 4%. Se a restituição demorar alguns meses, o custo dessa antecipação pode pesar no bolso do contribuinte. A vantagem da antecipação depende do que será feito com o dinheiro.
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Quando Vale a Pena Antecipar?
Se o objetivo for investir o dinheiro em uma poupança ou comprar algo não essencial, como eletrônicos, talvez seja melhor esperar a restituição. No entanto, se a antecipação for utilizada para quitar dívidas com juros altos, como os de cartão de crédito (que podem chegar a 12% ou 15%), o empréstimo bancário com uma taxa menor (em torno de 4%) pode ser vantajoso. A decisão deve ser baseada em uma análise cuidadosa da situação financeira individual.
Em resumo, antecipar a restituição do Imposto de Renda pode ser uma ferramenta útil em certas situações, mas exige atenção às taxas de juros e ao propósito do uso do dinheiro. Avaliar cuidadosamente as opções e considerar as potenciais desvantagens é fundamental para tomar uma decisão financeira consciente.