Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marco Guarizzo
A Santa Casa de Ribeirão Preto enfrenta dificuldades financeiras devido ao atraso no repasse de verbas municipais. O não pagamento de parte dos salários de julho dos funcionários acende um alerta sobre a sustentabilidade da instituição, que depende crucialmente dos recursos da prefeitura para manter seus serviços em pleno funcionamento.
Entenda o Atraso no Repasse
Segundo Antônio Carlos Cola, advogado e encarregado do Departamento Jurídico da Santa Casa, o problema não é recente. Os atrasos nos pagamentos por parte da prefeitura vêm ocorrendo desde 2013, e atualmente a dívida acumulada já soma quatro meses. A verba em questão, no valor de R$ 1.800.000,00, é referente à participação do município no custeio dos serviços prestados à população. Cola ressalta que os repasses do Governo Federal, destinados à remuneração do SUS, têm sido feitos normalmente, e que a pendência se refere exclusivamente à obrigação da prefeitura.
A Dívida do Lixo Hospitalar: Impasse entre as Partes
A prefeitura alega que a Santa Casa possui uma dívida de R$ 8.600.000,00, sendo R$ 5.300.000,00 referentes à coleta de lixo hospitalar. Essa pendência seria o motivo para a suspensão dos repasses. No entanto, a Santa Casa contesta essa alegação, argumentando que, em 2012, entrou com um processo administrativo para revisão do valor devido, realizou o pagamento após a revisão e, posteriormente, a prefeitura solicitou a extinção do processo, voltando atrás em seguida. O impasse persiste, com reuniões ocorrendo para tentar chegar a um acordo, mas sem solução até o momento.
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Solução Temporária e Perspectivas Futuras
Para mitigar o impacto do atraso nos salários, o provedor da Santa Casa conseguiu um empréstimo de R$ 650 mil junto a um tomador de serviços, garantindo o pagamento dos funcionários referente ao mês de junho. Apesar disso, a situação permanece delicada. A prefeitura informou que o repasse mensal subiu para R$ 3 milhões, mas a dívida de R$ 1.800.000,00 ainda não foi quitada. A Santa Casa depende desse pagamento para honrar seus compromissos com fornecedores e obrigações tributárias, sob o risco de comprometer a qualidade do atendimento à população.
A instituição segue buscando diálogo com a prefeitura para regularizar a situação financeira e garantir a continuidade dos serviços essenciais à comunidade.



