Sapinho-pingo-de-ouro e Sapinho-pitanga, espécies de anfíbios que cantam, porém não conseguem ouvir o que estão cantando
Os sons da natureza sempre fascinaram a humanidade, e o mundo dos anfíbios não é exceção. Nesta reportagem, vamos explorar a curiosa comunicação de duas espécies de sapinhos brasileiros: o Pingo de Ouro e o Pitanga, ambos menores que uma moeda de 50 centavos e considerados os menores vertebrados do mundo.
Comunicação Inusitada: Sapos Surdos?
Esses pequenos anfíbios, apesar de seu tamanho diminuto, possuem cores vibrantes e chamativas, frequentemente encontrados em grandes grupos no chão da floresta. O que mais intriga os pesquisadores é sua capacidade de vocalização, sons agudos que lembram o cricrilar de grilos, mas com uma peculiaridade: eles são surdos ao próprio canto. O professor Luís Felipe Toledo, herpetólogo da Unicamp, explica que essas espécies não possuem tímpano, a membrana que normalmente permite a audição em sapos.
A Busca pela Compreensão: Sentidos e Adaptação
O estudo sobre a comunicação desses sapinhos começou com a pergunta: como eles escutam, se não possuem tímpano? A pesquisa revelou que, apesar de não ouvirem suas próprias vocalizações, nem as de outros sapos da mesma espécie, eles conseguem perceber sons de baixa frequência, como o barulho de um rio ou o movimento de insetos. A vocalização, portanto, não serve para atrair parceiros ou alertar sobre predadores, como ocorre na maioria das espécies. Os pesquisadores sugerem que a perda da audição pode ter ocorrido antes da perda da capacidade de vocalização, um processo evolutivo ainda em estudo. Além da audição, os sapinhos utilizam a comunicação visual, com gestos e expressões faciais, e possuem um esqueleto florescente, que pode ter um papel na comunicação.
Leia também
A pesquisa sobre o Pingo de Ouro e o Pitanga continua, buscando desvendar os mistérios de sua comunicação e adaptação. A descoberta de um esqueleto florescente e a observação de uma rica comunicação visual abrem novas perspectivas para a compreensão do comportamento desses fascinantes anfíbios. A equipe de pesquisadores espera que novas descobertas revelem ainda mais sobre a vida desses pequenos seres e seus mecanismos de interação com o ambiente.