Os surtos de sarampo registrados nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido acendem um alerta internacional sobre a queda na cobertura vacinal. Enquanto esses países enfrentam aumento de casos e até perda do certificado de eliminação da doença, o Brasil foi recertificado há dois anos por não ter transmissão autóctone do vírus.
Segundo a infectologista pediátrica Silvia Fonseca, em 2024 os Estados Unidos registraram mais de dois mil casos confirmados e três mortes. O surto se espalhou para México e Canadá. No Brasil, foram 38 casos, a maioria importados, e todos contidos. “Para a gente não ter caso de sarampo, mais de 95% da população precisam estar imune ao sarampo.”
Cobertura vacinal
A médica explica que a recirculação do vírus ocorre quando a cobertura vacinal cai abaixo do ideal. Quase 90% das pessoas infectadas nos surtos recentes não tinham nenhuma dose da vacina contra o sarampo.
O esquema vacinal prevê duas doses, aplicadas aos 12 e 15 meses de idade. Pessoas com menos de 30 anos devem ter pelo menos duas doses registradas e, até os 50 anos, ao menos uma dose. “Cada vez que você tem uma doença infectocontagiosa, não só você se prejudica, mas se prejudica as outras pessoas.”
Outras doenças
A vacina contra o sarampo também protege contra rubéola e caxumba. A infectologista alerta que a redução da vacinação pode levar ao retorno da rubéola congênita, que pode causar catarata e problemas cardíacos em bebês quando a gestante é infectada, principalmente no primeiro trimestre.
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“O sarampo mata principalmente as crianças abaixo de 5 anos e ele também leva a pneumonia, ele pode levar à cegueira, ele pode levar à surdez, ele pode dar problema de inchaço no cérebro.”
A especialista reforça que a imunização deve ser mantida em todas as faixas etárias e orienta que a população confira a carteirinha de vacinação para evitar a reintrodução de doenças já eliminadas no país.



