Secretária Jane Aparecida Cristina falou sobre os aportes feitos pela pasta no ano passado; ouça a coluna ‘De Olho na Política’
O secretário municipal de Saúde, Bruno Silva, apresentou nesta semana a prestação de contas da pasta referente a 2023 em participação ao vivo no estúdio da CBN. Segundo o balanço divulgado, a secretaria investiu 23,2% da receita corrente líquida em ações e serviços de saúde no ano passado — percentual que, conforme explicou Silva, se insere em um cenário de maior demanda e pressão sobre as finanças públicas locais.
Prestação de contas e números
Bruno Silva destacou que a previsão orçamentária para 2023 era de R$ 787,7 milhões. No entanto, o relatório aponta que, do primeiro ao terceiro quadrimestre do ano, a arrecadação atingiu R$ 890 milhões, montante que acabou sendo direcionado às despesas da secretaria. A apresentação também fez referência aos limites constitucionais aplicáveis a políticas públicas essenciais, contextualizando o volume aplicado pela gestão.
Pressão crescente sobre o sistema
No relato à emissora, o secretário e os entrevistadores ressaltaram o paradoxo enfrentado pelos municípios: apesar dos investimentos milionários, persistem filas, demora em exames e cirurgias eletivas e queixas sobre a qualidade e a prontidão do atendimento. A discussão atribui boa parte dessa pressão ao aumento contínuo da demanda — um movimento acentuado desde a pandemia de Covid-19 — que exige mais profissionais, insumos e estrutura nas unidades básicas e hospitais municipais.
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Fontes de recursos e desafios emergentes
Além do orçamento municipal, a secretaria recebe repasses federais e estaduais, incluindo emendas parlamentares com destinação obrigatória parcial para a saúde. Silva apontou que esses recursos, somados aos gastos ordinários, nem sempre são suficientes para cobrir novas demandas, especialmente em anos de surto epidemiológico. A situação atual, marcada por uma epidemia de dengue, aumenta ainda mais a pressão sobre o sistema, elevando custo com atendimento de urgência, medicamentos e reforço de pessoal.
Para o secretário, investir acima dos mínimos constitucionais tem sido uma saída necessária para tentar responder às demandas, embora reconheça que o volume de gastos segue crescendo e apresenta desafio permanente à gestão pública.