Comércio dos implementos teve um ‘boom’ em 2021/ 22, mas as condições climáticas impactaram o campo nos dois anos seguintes
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimac) divulgou um panorama do setor de máquinas agrícolas e apontou fatores que vêm pressionando produção e vendas nos últimos meses. O diagnóstico foi apresentado por Pedro Estevão Basso, presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da Abimac, em entrevista à CBN.
Desempenho recente
Basso lembrou que o segmento passou por um ciclo de forte crescimento entre 2020 e 2022, quando as vendas chegaram a cerca de R$ 90 bilhões por ano. No entanto, 2023 e 2024 registraram recuos considerados normais após esse ciclo de alta. Para 2024, a Abimac projeta uma queda de 15% nas vendas em relação ao volume estimado de R$ 70 bilhões.
O dirigente atribui parte da piora à seca que afetou as safras de soja e milho, responsáveis por cerca de 60% do mercado de máquinas agrícolas no país. “Esse ano tivemos uma seca muito severa, que atrapalhou muito a safra de soja e de milho. O mercado é 60% soja e milho de máquinas agrícolas. Então temos um ano mais desafiador em função da seca, que baixa a rentabilidade do agricultor”, afirmou.
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Impactos climáticos e econômicos
Além do clima, o aumento das taxas de juros pressionou a demanda por equipamentos. Basso citou a combinação de um El Niño severo seguido por uma transição rápida para uma La Niña que se espera intensa como fator que agravou a volatilidade da produção agrícola e, consequentemente, das vendas de máquinas.
“Com certeza, tivemos o El Niño severo e atrásra está vindo uma La Niña muito forte. A transição rápida entre os dois fenômenos é incomum e indica problemas climáticos”, disse o presidente da câmara.
Perspectivas e políticas públicas
Apesar das dificuldades no curto prazo, a Abimac mantém uma visão positiva para o médio e longo prazo. Segundo Basso, o Brasil deve aumentar as exportações de alimentos entre 25% e 30% na próxima década, o que exigirá ampliar a área plantada em cerca de 20 milhões de hectares e, consequentemente, elevar a demanda por máquinas.
Para viabilizar esse cenário, o setor aguarda um Plano Safra com linhas de crédito mais favoráveis e recursos para investimento. “Estamos negociando para que o Plano Safra venha robusto, com recursos para investimentos, que são necessários para aumentar a área e recuperar solos degradados”, afirmou.
O avanço das vendas dependerá, portanto, da combinação entre melhora das condições climáticas, oferta de crédito rural com juros mais baixos e recuperação da rentabilidade dos produtores, itens citados pela Abimac como decisivos para retomar os patamares observados em 2022 e 2023.



