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Seca histórica na região de Ribeirão Preto é tema do Almanaque CBN

Ouça o 1º bloco do programa de 19 de julho
Seca histórica Ribeirão Preto
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A persistente seca que assola a região tem gerado preocupações em diversos setores. Para entender melhor a situação, conversamos com especialistas que compartilham suas perspectivas sobre as causas, os impactos e possíveis soluções.

As Causas Meteorológicas da Seca

Glauco Eduardo Pereira Cortez, professor de agrometeorologia, explica que a seca atual é resultado de uma combinação de fatores. Primeiramente, a estação do ano contribui, já que o inverno normalmente apresenta baixa precipitação. Em anos anteriores, períodos de 60 a 70 dias sem chuva eram comuns entre junho e atrássto. Este ano, a situação se antecipou devido a uma anomalia climática no início do ano, quando a quantidade de chuva nos meses de janeiro, fevereiro e março foi significativamente inferior ao esperado. Para se ter uma ideia, o volume total de chuva nesses três meses somou apenas 60% do que normalmente se registra em janeiro.

Segundo Cortez, o esperado até junho seria algo em torno de 800 a 840 milímetros de chuva, mas foram registrados apenas 310 a 312 milímetros, representando menos de 40% da precipitação normal para o período.

O Impacto nos Níveis dos Rios e a Ação do Daee

Alfredo Segato, engenheiro do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) de Ribeirão Preto, relata que o Daee monitora sistematicamente o nível dos rios através de réguas que medem a altura da água e a relacionam com o volume que passa. A régua localizada no Rio Pardo, dentro do clube Regatas, indica que o nível está muito abaixo do normal para esta época do ano. Enquanto o esperado seria uma medição em torno de um metro, atualmente a régua oscila entre 53 e 57 centímetros.

Segato afirma que, analisando as séries históricas de medições desde 1941, a seca atual se configura como uma das mais constantes ao longo do tempo. Ele também observa que outros rios da região apresentam níveis alarmantes, com rochas e áreas antes submersas atrásra expostas, impactando a fauna e a flora locais.

O engenheiro ainda ressalta que desde 1961 não se via um período de estiagem tão prolongado. A falta de precipitação impede a infiltração da água no solo, que alimenta os rios, levando diversas cidades da região a enfrentarem racionamento devido à escassez de água.

Implicações para a Saúde e Possíveis Soluções

O pneumologista Álvaro Gradim alerta para o agravamento das doenças respiratórias devido à seca. Crianças, idosos e pessoas acamadas são os mais vulneráveis. As queixas de tosse prolongada, rinite, sinusite, faringite e traqueíte têm aumentado significativamente desde o início do ano, em decorrência da baixa umidade do ar.

Gradim sugere evitar a limpeza a seco e priorizar o uso de panos úmidos para minimizar a suspensão de poeira. Ele também defende que o poder público invista em fontes de água que promovam a circulação e a umidade do ar, especialmente em uma cidade quente como Ribeirão Preto. Além disso, o médico ressalta a importância da conservação das áreas verdes, que contribuem para a umidade do ar e para a diminuição da temperatura.

Diante desse cenário, o planejamento se mostra essencial. É crucial que as autoridades adotem medidas preventivas e adaptem as campanhas de saúde às condições climáticas anormais. O plantio de árvores e a fiscalização da captação de água subterrânea são medidas importantes para garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos.

Embora o cenário seja desafiador, a conscientização e a adoção de práticas sustentáveis são fundamentais para mitigar os impactos da seca e garantir o bem-estar da população.

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