Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
A seca que castigou diversas regiões do país já impacta o bolso do consumidor, e a situação pode se agravar. Um novo aumento nos preços de alimentos como carne de porco e frango é esperado, resultado direto da crise na produção de milho, principal componente da ração animal.
O Impacto da Seca na Produção de Milho
A cultura do milho, que em muitas áreas cedeu espaço para o plantio de soja, sofreu um duro golpe com a escassez de água no início do ano. Segundo José Carlos de Lima Júnior, pesquisador da Faculdade de Economia da USP de Ribeirão Preto, a falta de água prejudicou o desenvolvimento dos grãos, forçando a antecipação da colheita em algumas regiões. “O grão dentro da espiga de milho acaba não se desenvolvendo, impactando a produtividade da área plantada. Em algumas situações, a colheita antecipada se torna necessária para evitar maiores prejuízos”, explica.
Efeitos em Cadeia: Suinocultura e Avicultura
A quebra na safra de milho desencadeia uma série de consequências em outras cadeias produtivas, especialmente na suinocultura e avicultura. A competitividade do mercado tem, por ora, atenuado o repasse dos custos ao consumidor final, mas o cenário deve mudar em breve. “Acredito que em um período de 30 a 45 dias, o consumidor vai perceber o aumento do preço do milho, pois o produto ficando mais caro, ele acaba apertando as margens do produtor e quando for vendido no mercado o consumidor realmente vai perceber que está um pouco mais caro o produto”, alerta o pesquisador.
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Prejuízos para os Produtores
Valcinêi Sérgio Lemos, suinocultor com mais de 20 anos de experiência, relata os prejuízos que vem enfrentando. “O milho girava em torno de R$ 24 a saca, e hoje está saindo por volta de R$ 33, R$ 34 na granja, um aumento de quase 50%. Estamos tendo uma grande dificuldade. O suíno, acompanhando esse mercado, aconteceu ao contrário. Como chegou quase R$ 80 no final do ano, hoje está em torno de R$ 60. Estamos com uma perda de 35 a 40% no preço e um aumento de 35 a 40% no custo. No momento, estamos trabalhando com prejuízos.”
De acordo com o IBGE, a queda na produção de milho no estado de São Paulo este ano será de 400 milhões e 300 mil toneladas. A situação exige atenção e medidas para mitigar os impactos na economia e no bolso do consumidor.



