Número seria mais de 40% superior aos registros de 2014 em Ribeirão Preto
Os casos de hanseníase em Henrique Beirão apresentaram um aumento significativo de 89,2% em comparação com os números de 2010. No início da década, a cidade registrava 28 casos, mas os números atuais são considerados alarmantes em relação a outras cidades do país.
A Situação em Henrique Beirão e a Média Nacional
A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza um caso de hanseníase para cada 10 mil habitantes para considerar a doença sob controle. Em Henrique Beirão, a taxa é de 1,65 caso para cada 10 mil habitantes, enquanto no estado a média é de 0,5 para cada 10 mil. Isso significa que a taxa em Henrique Beirão é três vezes maior que a média estadual e também supera o índice nacional, que é de 1,42 para 10 mil habitantes.
Fatores que Contribuem para o Alto Índice
Segundo a médica sanitarista da Secretaria Municipal de Saúde, José Límen Donça, o alto índice de hanseníase em Henrique Beirão é resultado de vários fatores, incluindo coeficientes elevados de prevalência e detecção de casos, além da ocorrência em crianças. A média de casos tem se mantido entre 80 e 90 por ano, o que indica que a doença é endêmica no município e nunca deixou de existir. Além disso, capacitações realizadas no município têm tornado os profissionais mais atentos ao diagnóstico da doença.
A Importância do Diagnóstico Precoce e Tratamento
A hanseníase é uma doença silenciosa, cujo período de incubação pode variar de 5 a 10 anos. A falta de informação sobre a doença pode levar ao agravamento dos casos. A hanseníase é causada por um bacilo que afeta os nervos, e a demora no diagnóstico pode resultar em incapacidades como perda da visão, falta de sensibilidade ao tato, dor, calor e perda de movimentos. O tratamento é feito com combinações de antibióticos específicos, disponibilizados pela rede pública de saúde, e o acompanhamento é feito de perto pelos profissionais da cidade.
Embora a hanseníase raramente evolua para o óbito, ela pode ser altamente incapacitante se não for diagnosticada e tratada precocemente. Felizmente, a doença é tratável em caráter ambulatorial e o medicamento está disponível na rede pública, através do SUS. Em Ribeirão Preto, o acompanhamento é realizado no centro de referência especializado central, no centro de referência da Vila Virgínia, e os casos mais complicados são atendidos no Ambulatório de Dermatologia do Hospital das Clínicas.
O Ministério da Saúde lançou um manual para atualizar os profissionais de saúde sobre o diagnóstico, tratamento e orientações sobre como lidar com as reações da doença. A identificação da hanseníase é feita através de exame clínico, avaliação médica, exame da pele e palpação dos nervos, além do surgimento de manchas na pele com perda de sensibilidade tátil, dolorosa e térmica.
Com diagnóstico e tratamento adequados, é possível controlar a hanseníase e evitar sequelas incapacitantes.


