Sandro Scarpelini disse aos vereadores que o médico que deveria estar na unidade de saúde acabou saindo mais cedo naquele dia
A Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto realizou uma sessão extraordinária de quase duas horas para discutir a morte de Juliano Machado, um morador de rua de 38 anos, ocorrida na porta do posto de saúde da Vila Tibério.
Relatório Médico e Depoimento do Secretário
O secretário de saúde, Sandro Scarpellini, apresentou o relatório médico de Juliano, que apontava problemas pulmonares e um infarto. Segundo o secretário, Juliano havia sido atendido no posto duas vezes, mas na terceira ocasião não havia médico. O relatório indica que o médico plantonista deixou o posto antes do horário previsto para buscar seu filho na escola, sem comunicar sua ausência à gerência.
Inconsistências e Reações
A justificativa do secretário não convenceu os vereadores, especialmente Lincoln Fernandes, que solicitou a convocação. Fernandes criticou a falta de punição ao médico, que teria alterado seu horário de trabalho por iniciativa própria, deixando o posto sem atendimento médico no momento em que Juliano atrásnizava na porta. Um vídeo gravando a cena agravou a situação, mostrando o descaso com o morador de rua.
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Denúncias e Implicações
O vídeo foi registrado por Maurício Bueno, conhecido de Juliano, que denunciou a falta de atendimento. Outros moradores de rua, como Alexandre de Souza, amigo de Juliano, também relataram dificuldades de acesso à saúde e preconceito. Souza descreveu a situação como um sistema que deixa os moradores de rua à própria sorte, sem assistência médica adequada. O secretário não confirmou se o médico envolvido sofrerá sanções administrativas.
O caso expõe as fragilidades do sistema de saúde pública de Ribeirão Preto, especialmente no atendimento a população em situação de rua, e levanta questionamentos sobre a responsabilidade e as consequências da falta de comunicação e do abandono do posto de saúde pelo profissional médico.



