David Uip afirmou que desde 2013, mais de R$ 700 milhões foram enviados à unidade de saúde
Noventa cidades da região de Fernandópolis, no interior de São Paulo, enfrentarão dificuldades no acesso a atendimentos especializados. O Hospital de Câncer da cidade anunciou que deixará de oferecer seus serviços devido à falta de credenciamento para receber verbas adicionais, além dos recursos já repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O Impacto do Déficit Financeiro
O anúncio, feito pelo diretor-geral do hospital, Henrique Prata, surpreendeu a muitos. Segundo ele, o pedido de credenciamento se arrasta há seis anos, tornando os custos operacionais insustentáveis. Dos R$ 4,5 milhões gastos mensalmente para manter a unidade em funcionamento, apenas R$ 1 milhão provém do estado, gerando um déficit significativo nas contas da instituição. Prata afirma que nem mesmo um pedido direto ao governador Geraldo Alckmin surtiu efeito.
A Versão do Governo e as Auditorias
Em contrapartida, o secretário de estado de saúde, Davi Uip, discorda das alegações. Ele afirma que os pedidos de credenciamento foram feitos e que todos os repasses estão em dia. Segundo Uip, mais de R$ 300 milhões foram repassados desde 2013, sendo R$ 180 milhões provenientes do tesouro estadual. O secretário classificou as alegações do hospital como “inconsistentes” e anunciou que auditorias nas contas da instituição devem começar na próxima semana.
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Realocação de Pacientes e Futuro Incerto
Com o fechamento da unidade, cerca de mil pacientes atendidos diariamente no Hospital de Câncer de Fernandópolis deverão ser realocados para as unidades de Barretos e Jales, também administradas pela Fundação Pio XII. Henrique Prata alertou que, caso o credenciamento da unidade de Jales não seja aprovado, ela também poderá ser fechada no final do ano. Inaugurado em 2013, o hospital de Fernandópolis contava com 35 médicos e mais de 300 funcionários, que também serão transferidos. A unidade realizava exames preventivos de colo de útero, câncer de próstata e de mama, além de cerca de 4 mil mamografias por mês.
A situação representa um revés para a população da região, que perderá o acesso facilitado a serviços de saúde essenciais.



