Projetos visam trazer soluções para os produtores do campo; quem fala do tema é Clayton Guimarães no ‘CBN Empreende’
Em Ribeirão Preto, durante a Agrishow — feira que reúne o setor agrícola — as startups ganharam destaque e passaram a ocupar espaços de diálogo com grandes empresas. Clayton Guimarães, representante do Agrishow Labs, disse que a iniciativa visa aproximar essas pontas para acelerar a entrega de tecnologias ao produtor rural, do agricultor familiar às grandes corporações.
Integração entre startups e agroindústrias
As agroindústrias vêm percebendo que produtos e serviços desenvolvidos por startups podem ser integrados às suas linhas de produção, ampliando alcance e eficiência. Esse movimento é conhecido como Corporate Venture Builder (CVB): empresas estabelecidas investem e incorporam tecnologias prontas, evitando desenvolver soluções do zero.
“Quando uma empresa entende que há um projeto criado por uma startup, onde ela usa uma nova tecnologia, ao invés de desenvolver do zero, ela prefere buscar esse novo parceiro para incrementar seu parque industrial e ampliar o campo de atuação da startup, que já tem uma carteira de clientes muito grande”, explicou Guimarães.
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Ampliação do número de startups e diversidade de soluções
O Agrishow Labs passou de 40 startups em 2022 para 75 em 2023, segundo organizadores. As soluções apresentadas abrangem biotecnologia, bioinsumos e novas modalidades de investimento agrícola, entre outras propostas focadas em reduzir custos e aumentar a produtividade no campo. O evento também promoveu a interação entre produtores de diferentes culturas, fornecedores e trabalhadores rurais, favorecendo a troca de conhecimento.
Parcerias estratégicas e inovações no campo
Exemplos práticos dessa integração incluem investimentos de grandes grupos como a CNH Industrial, pela marca Case New Holland, em projetos de startups para incorporar tecnologias ao portfólio de serviços oferecidos aos produtores. “A CNH investiu pesadamente em vários projetos de startups para incorporar essas soluções ao seu portfólio, beneficiando diretamente o produtor rural”, afirmou Guimarães.
Entre as inovações apresentadas, há projetos que permitem ao próprio agricultor produzir insumos para o controle de pragas e doenças em culturas como amendoim e soja. Segundo Guimarães, “uma startup criou pequenas porções que permitem ao agricultor produzir seu próprio insumo, com um custo muito menor do que o praticado no mercado, mantendo a mesma eficiência tecnológica”. Essas iniciativas ajudam a democratizar o acesso a tecnologias avançadas e a torná-las mais viáveis para produtores de diferentes portes e regiões.
O avanço do modelo CVB e o papel do Agrishow Labs indicam que a cooperação entre startups e empresas consolidadas tende a acelerar a modernização do agronegócio brasileiro, aproximando inovação e demanda real do campo.