Especialistas discutiram, em evento realizado na Faculdade de Direito da USP, o modelo atual de segurança pública no Brasil
Um seminário internacional de criminologia reuniu especialistas no auditório principal da faculdade de direito da USP de Ribeirão Preto. O evento contou com a participação de profissionais brasileiros e de outros países, apresentando novos resultados de pesquisas recentes.
Conflitos e Reinserção Social de Jovens
A palestrante convidada, a portuguesa Raquel Matos, doutora em psicologia pela Universidade do Minho e professora associada na Universidade Católica Portuguesa, abordou os conflitos em um projeto europeu focado na reinserção social de jovens envolvidos em grupos criminosos. O projeto buscava entender a trajetória de vida desses jovens, analisando casos de sucesso em Portugal e outros países. Matos destacou a importância de sair de um sistema punitivo para que os jovens consigam romper o ciclo do crime e do conflito.
Segurança Pública e o Modelo Brasileiro
O sociólogo Gabriel Feltran, também presente no seminário, criticou o modelo brasileiro de segurança pública, afirmando que o método de prisão e repressão a pequenos crimes apenas multiplica criminosos. Ele comparou a situação a um ciclo vicioso: prender um pequeno traficante cria uma vaga que é rapidamente preenchida, enquanto o preso se aprimora em crimes mais complexos dentro da cadeia. Feltran apontou que esse modelo falho já dura há décadas, resultando num aumento exponencial da população carcerária em São Paulo, sem que haja um debate racional sobre o tema. O debate, segundo ele, é pautado pela moral e pela força bruta, sem abordar a questão de forma inteligente e eficaz.
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Novas Perspectivas sobre Facções Criminosas
Feltran, que há 20 anos estuda a maior facção criminosa de São Paulo, apresentou uma interpretação inovadora sobre seu funcionamento. Em vez de um modelo baseado na divisão de lucros, ele sugere que a associação entre os criminosos se assemelha a uma fraternidade, com indivíduos se ajudando mutuamente em seus negócios. Esta nova perspectiva altera a compreensão sobre a facção, seus efeitos e as estratégias de segurança pública, considerando a diversidade de organizações criminosas e suas diferentes formas de atuação.
Além dos temas principais, o seminário também abordou desafios na avaliação psicológica, na legislação sobre porte de arma de fogo e drogas. O evento contribuiu para um debate enriquecedor sobre criminologia e segurança pública, apresentando novas perspectivas e dados relevantes para a área.



