Gelson Genaro explica se esse fator influência ou não no comportamento dos cachorros; ouça a coluna ‘CBN Pet News’
O comportamento dos cães está relacionado tanto à genética quanto ao ambiente em que vivem, Sempre achamos que o pinscher é estressado, mas será que a raça do animal determina o comportamento?, segundo o veterinário Dr. Gelson Genaro. Em entrevista, ele explicou que, embora a aparência física dos animais seja determinada em cerca de 80% por fatores genéticos, o comportamento depende apenas em torno de 25% da hereditariedade, sendo o restante influenciado pelo ambiente e pela forma como os tutores educam seus pets.
Dr. Gelson destacou que a expectativa de que um cão tenha um comportamento específico apenas por pertencer a uma determinada raça pode ser frustrante. “Posso ter, por exemplo, um pitbull extremamente medroso e um pinter extremamente valente”, exemplificou. Isso ocorre porque o caráter e o temperamento dos cães são moldados principalmente pelo ambiente, treinamento e interação com os donos.
Influência da genética e do ambiente no comportamento canino
O veterinário explicou que a seleção genética para características físicas, como tamanho, tipo de pelo e formato das orelhas, é mais fácil e já vem sendo feita há cerca de 200 anos, desde que os cães passaram a ser mais animais de companhia do que de trabalho, como caça, guarda ou pastoreio. Já a seleção para traços comportamentais é mais complexa e menos eficiente, devido à influência do ambiente e da criação.
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Além disso, as raças sem padrão definido, como os cães vira-lata, apresentam ainda mais variações tanto físicas quanto comportamentais, o que dificulta qualquer previsão sobre seu temperamento.
O papel dos tutores na formação do comportamento: Dr. Gelson enfatizou que os donos têm papel fundamental no desenvolvimento do comportamento dos cães. Um ambiente controlado, seguro e com treinamento adequado pode resultar em animais mais equilibrados, seguros e obedientes. Por outro lado, a falta de controle e de limites pode levar a problemas comportamentais, como latidos excessivos, estresse e até agressividade.
Ele alertou para os riscos de permitir que o animal assuma a dominância na casa, como quando o cão começa a latir e o tutor cede, oferecendo comida ou atenção, reforçando comportamentos indesejados. Esse tipo de situação pode levar a problemas como obesidade e incômodo aos vizinhos.
Cuidados com raças de maior porte e temperamento
O veterinário ressaltou que cães de porte maior, como pitbull, pastor alemão e pinter, exigem cuidados redobrados devido à força e ao potencial de causar danos caso não sejam bem treinados e socializados. Ele recomendou oferecer um ambiente prazeroso e controlado para esses animais, a fim de evitar estresse contínuo e comportamentos agressivos.
Segundo Dr. Gelson, a convivência harmoniosa entre cães e pessoas depende do equilíbrio entre genética, ambiente e a atuação responsável dos tutores.
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O debate contou ainda com a participação de ouvintes, que compartilharam experiências sobre as características de suas raças, como o maltez, conhecido por latir bastante, mas ser um animal doce e protetor. Essas variações reforçam a ideia de que, mesmo dentro de uma mesma raça, o comportamento pode ser bastante diverso, influenciado pelo ambiente e pela educação recebida.
Em resumo, a escolha da raça deve considerar tanto as características físicas quanto as necessidades de cuidado e treinamento, e os tutores devem estar preparados para oferecer um ambiente adequado para o desenvolvimento saudável do cão.