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Será que a IA impulsiona ou engessa a criatividade humana no ambiente corporativo?

Será que a IA impulsiona ou engessa a criatividade humana no ambiente corporativo?
IA criatividade humana
Freepik

Será que a IA impulsiona ou engessa a criatividade humana no ambiente corporativo?

Em um mundo cada vez mais dominado pela automação, inteligência artificial e algoritmos, surge a questão: a inovação estaria sufocando a criatividade humana? A constante busca por resultados imediatos deixa espaço para experimentações e, inevitavelmente, para erros? Para discutir este tema, convidamos Dalton Automarkz, gerente de desenvolvimento econômico e tecnológico do Supera Parque Tecnológico de Ribeirão Preto.

Inovação Genuína vs. Repetição Disfarçada

Dalton levanta uma questão crucial: estamos realmente inovando ou apenas repetindo fórmulas de sucesso já consagradas? Ele ressalta que, embora não se possa generalizar, muitas vezes o que se vende como inovação é, na verdade, uma repetição com uma nova roupagem. O mercado ansioso por novidades e disrupção, muitas vezes se contenta com ajustes cosméticos, confundindo eficiência com inovação, o que acaba por empobrecer a criatividade, especialmente em ambientes corporativos pressionados por resultados.

Inovação Incremental vs. Disruptiva

Para diferenciar a inovação da simples atualização de processos, Dalton introduz os conceitos de inovação incremental e radical (ou disruptiva). A inovação radical cria algo genuinamente novo, alterando a dinâmica do mercado, enquanto a incremental consiste em pequenas melhorias em produtos e serviços já existentes. A diferença entre atualização de processo e inovação disruptiva é clara, como exemplificado pela telemedicina em contraste com a simples digitalização da triagem em um hospital. No entanto, a linha entre atualização de processo e inovação incremental é mais tênue. O critério chave é: o cliente percebe uma mudança real de valor? Se sim, é inovação; caso contrário, é apenas uma atualização.

O Papel da Inteligência Artificial: Aliada ou Vilã da Criatividade?

A crescente utilização da inteligência artificial (IA) levanta outra questão: ela estaria limitando a capacidade humana de criar? Dalton pondera que a IA pode tanto liberar quanto aprisionar a criatividade, dependendo de como a utilizamos. Se empregada como ferramenta para acelerar pesquisas, prototipar ideias e testar caminhos, ela amplia nossa capacidade criativa, como demonstrado na indústria farmacêutica. No entanto, quando a IA se torna uma decisora automática, corremos o risco de nos acomodarmos e atrofiarmos nossa capacidade de pensar criticamente. A criatividade reside no imprevisível, enquanto a IA se destaca no previsível. O segredo está em não terceirizar o pensamento, transformando a IA em uma ferramenta que impulsiona, e não limita, a criatividade.

Métricas e Criatividade: Encontrando o Equilíbrio

O excesso de métricas em ambientes corporativos também pode ser uma barreira para a criatividade. Embora as métricas sejam necessárias para o gerenciamento, é fundamental haver flexibilidade. Dalton sugere quatro práticas para estimular a criatividade: tempo protegido para pensar, laboratórios de experimentação com pouca burocracia, equipes diversas e aceitação do erro como parte do aprendizado. Não é preciso abandonar as métricas, mas é crucial olhar para a criatividade com flexibilidade, conciliando a metrificação com um ambiente que favoreça a inovação.

A reflexão sobre a relação entre inovação e criatividade nos lembra da importância de equilibrar a busca por resultados com a liberdade para experimentar e errar. Afinal, é na tentativa e erro que reside o potencial para a criação de algo verdadeiramente novo e transformador.

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