Cães podem distinguir até 90 palavras, gatos sabem diferenciar nomes; entenda mais sobre o grau de consciência do bichinhos
Em entrevista a um programa de rádio, o professor Gelson, especialista em fisiologia e bem-estar animal, abordou a polêmica sobre se cães e gatos reconhecem seus nomes e como esse reconhecimento funciona na prática. A conversa trouxe referências a estudos recentes e recomendações práticas para donos interessados em melhorar a resposta de seus animais aos chamados.
O que a ciência mostra sobre reconhecimento de nomes
Segundo Gelson, já não há dúvida de que cães e gatos são seres sencientes, capazes de sentimentos como medo, dor e alegria. Pesquisas recentes apontam que gatos conseguem identificar seu próprio nome mesmo quando diferenciado de outros nomes e do som produzido pelo tutor, segundo estudo realizado no Japão. Em cães, trabalhos indicam que alguns animais são capazes de distinguir até 90 palavras — um vocabulário comparável ao de uma criança de 2 ou 3 anos.
Entonação, contexto e aprendizagem
O professor explicou que não é apenas a palavra em si que importa, mas também a entonação, quem fala e o contexto em que o nome é usado. Uma mesma palavra pronunciada com entonações diferentes ou por pessoas diferentes pode produzir respostas distintas. Além disso, o uso repetido do nome associado a uma recompensa (como alimento, passeio ou carinho) funciona como treino: o animal aprende a relacionar a palavra a uma consequência positiva e passa a responder mais prontamente.
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Dicas práticas para donos
Gelson recomendou escolher nomes curtos e foneticamente distintos, evitar usar o mesmo som para comandos diferentes e não dar nomes muito semelhantes a animais que convivem entre si, para não causar confusão. Manter a pronúncia clara e consistente, usar uma entonação amistosa e oferecer recompensas ao atender — mesmo que seja apenas um afago — facilita o aprendizado. O especialista também lembrou que a paciência e a repetição consciente são fundamentais no processo.
Durante a transmissão, um ouvinte relatou que sua cadela Luna às vezes não responde ao chamado; o professor confirmou que isso pode depender da entonação, do contexto e do treinamento. A conversa terminou com elogios ao trabalho da emissora e um apelo para que os tutores tratem seus animais com carinho e clareza na comunicação.
Gelson concluiu ressaltando que, embora já haja evidências consistentes, a pesquisa sobre cognição animal continua em evolução e que o respeito ao comportamento e ao bem-estar dos pets deve orientar práticas de treino e convivência.