Alegação é que categoria foi prejudicada com a corrupção desvendada pela Operação Sevandija
Após a descoberta de um desvio de R$ 45 milhões da prefeitura de Ribeirão Preto, por meio de pagamentos fraudulentos de honorários advocatícios à ex-advogada do sindicato dos servidores municipais, um abaixo-assinado pedindo a destituição da atual diretoria da entidade foi lançado. Até o momento, mais de duas mil assinaturas foram coletadas.
Pressão por novas eleições
O guarda civil municipal Caio Cristiano Oliveira Cunha, um dos organizadores do movimento, afirma que o documento será entregue ao Ministério Público, solicitando a abertura de uma investigação sobre a renda e o patrimônio dos atuais diretores do sindicato. Cunha explica que a intervenção da justiça é necessária para garantir um novo processo eleitoral democrático, permitindo que os trabalhadores escolham livremente seus representantes. A desconfiança recai sobre a validade de atas que promoveram mudanças estatutárias sem a participação da categoria, levantando suspeitas de manipulação.
Investigação sobre contratos e suspeitas de fraude
Além da destituição da diretoria, os trabalhadores também pedem ao Ministério Público a apuração dos contratos firmados entre o sindicato e escritórios de advocacia terceirizados. Há suspeitas de fraude no processo eleitoral que elegeu a atual diretoria, com a exigência de que os servidores votem o caixa e façam um balanço em assembleia, prática que, segundo os manifestantes, não ocorre atualmente. O uso dos recursos, afirmam, deveria ser discutido e votado em assembleia.
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Desvio de recursos públicos e operação Mamãe Noel
A segunda fase da Operação Mamãe Noel, realizada em 2 de dezembro, revelou um esquema de corrupção que resultou no desvio de aproximadamente R$ 45 milhões. Documentos apreendidos apontam um acordo prévio entre a prefeita Darcivera (PSD), ex-advogados do sindicato (Sandro Hovani e Maria Zueli), o ex-secretário Marco Antonio dos Santos, o ex-presidente do sindicato Wagner Rodrigues e o advogado André Soares Rentes. O grupo forjou um termo de aditamento a um acordo de 2008 para desviar parte dos valores destinados aos servidores, com pagamentos mensais de aproximadamente R$ 1 milhão a dois escritórios de advocacia. O promotor Gabriel Rigol de Vidal explicou que a homologação do acordo foi induzida a erro, por meio de documentos fraudados, incluindo uma ata de assembleia onde os funcionários teriam abrido mão de 6% de juros sobre o valor total a receber. O sindicato, em nota, afirma que o mandato atual foi obtido de forma lícita e democrática.
A mobilização dos servidores demonstra a preocupação com a transparência e a correta gestão dos recursos do sindicato, buscando garantir a participação efetiva dos trabalhadores nas decisões que afetam diretamente suas vidas profissionais.



