Lígia Boareto traz mais um clássico de Chico Buarque para nos ajudar a aprender mais sobre esses termos; ouça o ‘CBN Papo Certo’
Durante o programa CBN Papo Certo, ‘Sessão’, ‘seção’, ‘cessão’… você sabe qual a diferença entre essas palavras?, a linguista Lígia Boareto esclareceu dúvidas comuns sobre a grafia e o uso correto das palavras homônimas e parônimas relacionadas ao termo “sessão” e suas variações, além de comentar curiosidades sobre o vocabulário utilizado nas eleições brasileiras.
Diferenças entre “sessão” e “seção”
Lígia explicou que “sessão” com dois “s” refere-se a um intervalo de tempo dedicado a uma atividade específica, como uma sessão de cinema, sessão de fotos ou sessão em uma reunião. Por exemplo, uma “sessão de cinema” é o período em que um filme é exibido, e uma “sessão extraordinária” na Câmara dos Vereadores é uma reunião especial. O termo vem do latim sessio, relacionado a sentar-se, e é usado para indicar um período ou evento.
Já “seção”, escrita com “c” e um “s”, refere-se a uma divisão ou departamento dentro de uma organização ou local, como a seção infantil em uma loja ou a seção de ficção em uma livraria. Este termo deriva do verbo “seccionar”, que significa dividir em partes.
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Uso do termo "sessão eleitoral" e a grafia correta: Um ponto de confusão comum é a expressão “sessão eleitoral”. Apesar de se tratar de um evento relacionado a eleições, o termo correto é “seção eleitoral”, com “c” e um “s”, pois refere-se a uma divisão geográfica ou administrativa onde os eleitores votam. A “seção eleitoral” é, portanto, uma subdivisão da zona eleitoral, funcionando como um departamento ou setor, o que justifica o uso da palavra com “c”.
Lígia destacou que é importante que os eleitores saibam exatamente onde votar, lembrando que muitos decoram a sala de votação para evitar confusões no dia da eleição. Ela também mencionou que os eleitores devem levar o e-Título para facilitar o processo.
Paronímia e homonímia: explicação linguística
A linguista abordou ainda o conceito de paronímia e homonímia, que são fenômenos linguísticos relacionados a palavras que possuem grafia e pronúncia semelhantes, mas significados diferentes. No caso de “sessão” e “seção”, essas palavras são parônimas, pois se assemelham na escrita e pronúncia, mas têm sentidos distintos.
Além disso, ela mencionou o verbo “ceder”, que pode gerar confusão com “sessão” e “seção”. “Ceder” significa transferir ou doar algo, e não deve ser confundido com os outros termos. Por exemplo, “ceder direitos autorais” significa transferir esses direitos para outra pessoa ou entidade.
Curiosidade sobre o termo "cabina" nas eleições: Lígia também comentou uma curiosidade relacionada ao vocabulário eleitoral: o uso do termo “cabina de votação” em documentos oficiais da Justiça Eleitoral, em vez de “cabine”, que é mais comum no português brasileiro. Embora “cabine” seja o termo mais utilizado no Brasil para designar espaços como a “cabine telefônica” ou a “cabine de votação”, a Justiça Eleitoral adota a forma “cabina”, que é mais comum em Portugal.
Ela explicou que essa escolha pode estar relacionada à tradição ou influência do português europeu, especialmente considerando a presença de técnicos portugueses no Brasil, como no futebol profissional. A “cabina de votação” é o espaço físico, geralmente feito de papelão, que protege a urna eletrônica durante o processo de votação.
Além disso, foi ressaltado que é proibido entrar com celular na cabina de votação, sendo necessário deixar o aparelho com o mesário, conforme as normas eleitorais vigentes.
Entenda melhor
- Sessão (com dois “s”): intervalo de tempo dedicado a uma atividade (ex.: sessão de cinema, sessão de fotos).
- Seção (com “c” e um “s”): divisão ou departamento em uma organização (ex.: seção infantil, seção de ficção).
- Seção eleitoral: local de votação, subdivisão administrativa (grafia correta com “c” e um “s”).
- Cabina de votação: termo oficial usado pela Justiça Eleitoral para designar o espaço de votação, embora “cabine” seja mais comum no português brasileiro.
O programa encerrou com votos de boa votação para os eleitores e a promessa de novos esclarecimentos sobre termos eleitorais, como “quociente” e “coeficiente eleitoral”, em futuras edições.