O médico pediatra Ivan Savioli traz detalhes de como funcionam os transplantes em crianças, na coluna ‘Filhos e Cia’
O Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos, destaca também a importância da doação em crianças e adolescentes. Conversamos com o Dr. Ivã Ferraschi para esclarecer dúvidas sobre o assunto.
Doação de Órgãos em Crianças e Adolescentes: Como Funciona?
A legislação para doação de órgãos em crianças e adolescentes é similar à dos adultos, com exceção da doação em vida, que exige 21 anos de idade. No caso de morte encefálica, não há restrição de idade para doação. A autorização familiar é fundamental, exceto em casos específicos, como infecções ou câncer. O processo após a autorização familiar segue os mesmos critérios dos adultos, dependendo da causa da morte.
Desafios da Doação de Órgãos em Crianças
A doação de órgãos para crianças apresenta desafios adicionais. A compatibilidade de tamanho do órgão é crucial, dificultando a busca por órgãos compatíveis. Além disso, alguns órgãos transplantados em crianças, como o coração, podem ter vida útil limitada, necessitando de novos transplantes na adolescência ou vida adulta. A necessidade de um segundo transplante dependerá do órgão em questão; transplantes de medula óssea, por exemplo, geralmente são únicos.
Leia também
Causas Mais Comuns de Transplante em Crianças
As cardiopatias congênitas (defeitos cardíacos congênitos) e infecções virais (raras) são as principais causas de transplante cardíaco em crianças. No caso dos rins, as má-formações renais e doenças hereditárias são as mais comuns. Leucemias e anemia falciforme estão entre as principais causas de transplante de medula óssea. A atresia de vias biliares extra-hepática é a causa mais comum de transplante de fígado. A principal dificuldade para transplantes, tanto em crianças quanto em adultos, é a recusa familiar. É importante destacar que 90% dos transplantes no Brasil são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A doação de órgãos é um ato de solidariedade que salva vidas. Compreender os desafios e as particularidades da doação em crianças é essencial para aumentar a conscientização e a disponibilidade de órgãos para transplante.