Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou mais uma queda em 2016, confirmando a pior recessão da história do país. Segundo dados divulgados pelo IBGE, a retração foi de 3,6% em relação a 2015, com quedas significativas na agropecuária (-6,6%), indústria (-3,8%) e serviços (-2,7%).
Insegurança Institucional e o PIB
A principal justificativa para a redução, especialmente no agronegócio, é a insegurança institucional que marcou o ano de 2015. A instabilidade política, o aumento dos juros e a disparada do dólar criaram um ambiente de incerteza que afetou os investimentos. Somente após o afastamento da presidente Dilma Rousseff e a mudança na gestão do país, em 2016, os investidores começaram a sentir maior segurança, o que pode explicar uma leve melhora no final do ano.
Impacto em Cadeias Produtivas
A forte queda na agropecuária teve um impacto significativo em outros setores. A agropecuária sustenta diversas cidades e trabalhadores, e seu declínio gerou problemas de emprego e redução nas vendas de diversos produtos, desde equipamentos eletrônicos até bens de consumo. O setor sucroalcooleiro, por exemplo, demonstra bem essa relação, com a crise no setor impactando toda a região, incluindo indústria, comércio e serviços.
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Perspectivas para 2017 e o Futuro
Apesar do cenário negativo de 2016, há perspectivas otimistas para 2017. A comparação com o mesmo período do ano anterior, considerando as taxas de juros e o câmbio mais favoráveis, indica um cenário mais positivo. Embora os efeitos dos investimentos feitos em 2016 só sejam sentidos plenamente em 2017, a melhora no ambiente institucional e político contribui para um maior otimismo. Regiões dependentes de setores em recuperação, como Sertãozinho, já mostram sinais de retomada, com aumento de contratações na indústria de transformação. Entretanto, a recuperação do mercado de trabalho em todo o Brasil deve levar mais tempo, visto que os efeitos dos investimentos se manifestam com defasagem.