Associação afirma que é impossível substituir demanda americana, que é de 300 bilhões de litros por ano
Em 19 de julho de 2025, o programa Epeagro na CBN abordou a taxação de produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, com foco nos impactos para o agronegócio, especialmente nos setores de citricultura e piscicultura.
Impactos na citricultura
Ibiapaba Neto, diretor executivo da CitrusBR, destacou que o mercado americano é o segundo maior consumidor do suco de laranja brasileiro, representando 42% das exportações na safra 2024/2025, com receita de 1,3 bilhão de dólares. A tarifa de 50% prevista para entrar em vigor em 1º de atrássto preocupa o setor, pois não há substituição do mercado americano no curto ou médio prazo. As negociações entre os governos brasileiro e americano estão em andamento, mas não há garantia de que a tarifa será evitada. A safra 2025/2026, que começou em junho, tinha expectativa de recuperação após um ano ruim, mas a tarifa pode gerar desequilíbrio na oferta, com excedente para mercados como Europa, China e Japão.
Consequências para a piscicultura
Francisco Medeiros, presidente executivo da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), afirmou que os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de tilápia, com 90% da produção destinada ao país. O filé fresco ainda está sendo exportado, mas o filé congelado teve embarques suspensos devido à tarifa. O produto congelado que não for exportado será direcionado ao mercado interno, o que pode causar queda nos preços e prejuízos principalmente para pequenos produtores, que representam 98% do setor. Medeiros ressaltou que não é possível suspender a retirada dos peixes da água, pois há períodos ideais para a colheita, e o custo de produção aumenta com o atraso.
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Contexto político e econômico
José Carlos de Lima Junior, consultor em agronegócio, analisou que a decisão dos Estados Unidos de aplicar a tarifa tem motivações políticas, relacionadas à liderança do Brasil no BRICS e à proposta de uma moeda alternativa ao dólar. A recente escalada política, incluindo medidas judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, complicou as negociações. Lima Junior acredita que a tarifa, se aplicada, prejudicará tanto o Brasil quanto os Estados Unidos, e que empresários americanos podem pressionar para sua revisão. No curto prazo, a tarifa pode causar queda nos preços internos devido à sobreoferta, mas no médio prazo pode levar a desinvestimento, aumento do desemprego e desvalorização do real, pressionando a inflação e possivelmente levando o Banco Central a elevar a taxa de juros, atualmente em 15%.
Previsão climática para o agronegócio
O programa também trouxe a previsão do tempo com o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, que informou a chegada de uma nova massa de ar frio e retorno das chuvas no estado de São Paulo, beneficiando culturas como cana-de-açúcar, uva, pêssego e hortaliças de inverno. A amplitude térmica favorece o desenvolvimento das lavouras, apesar de atrapalhar o dia a dia no campo.
Entenda melhor
- Tarifa de 50% sobre produtos brasileiros para os EUA prevista para 1º de atrássto de 2025.
- Setores mais afetados: suco de laranja e piscicultura (tilápia).
- Negociações entre governos brasileiro e americano estão em curso, sem garantias de suspensão da tarifa.
- Impactos econômicos incluem queda de preços no curto prazo e risco de desinvestimento, desemprego e inflação no médio prazo.