O setor de serviços foi o principal responsável pela geração de empregos em Ribeirão Preto no mês de fevereiro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O saldo foi positivo em 1.715 vagas, resultado de 8.504 admissões contra 6.789 desligamentos.
O desempenho representa uma variação positiva de pouco mais de 1% e coloca o segmento à frente de áreas como comércio, indústria, construção civil e agropecuária. O resultado também supera o registrado no mesmo período do ano passado, quando o saldo foi de 1.417 postos de trabalho.
Força local
De acordo com o consultor econômico José Rita Moreira, o resultado reforça uma característica histórica da economia de Ribeirão Preto, que tem forte presença do setor de serviços, especialmente nas áreas financeira, educacional e de saúde.
Segundo ele, há sinais de aquecimento na geração de empregos, ainda que a maioria das vagas seja operacional. O movimento pode estar ligado à migração de trabalhadores que atuavam como autônomos ou em aplicativos, em busca de maior estabilidade com carteira assinada.
Moreira também destaca que o setor representa entre 40% e 45% dos empregos da cidade, enquanto o agronegócio responde por cerca de um terço das vagas, evidenciando a concentração da economia local nessas áreas.
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Mudanças no mercado
O cenário atual também aponta para mudanças no comportamento dos trabalhadores. Segundo o economista, há indícios de que parte dos microempreendedores individuais esteja retornando ao mercado formal, contribuindo para o aumento das contratações.
Outro ponto observado é o crescimento de nichos específicos, como o paisagismo, que pode refletir maior investimento em condomínios e espaços residenciais. Para o especialista, ainda é cedo para afirmar uma tendência consolidada, mas há sinais de retomada no mercado de trabalho.
Além disso, fatores sazonais, como o início do ano letivo, também impactam positivamente a geração de empregos, especialmente em setores ligados à educação e ao mercado imobiliário.
Desafios econômicos
Apesar dos resultados positivos, o ambiente econômico ainda impõe desafios para empresários e investidores. A taxa de juros elevada é apontada como um dos principais entraves, desestimulando novos negócios e investimentos.
Segundo Moreira, a alta rentabilidade de aplicações financeiras faz com que muitos optem por manter recursos no banco, em vez de investir na economia real. Isso reduz o potencial de geração de empregos e crescimento econômico.
Além disso, há inseguranças relacionadas ao cenário nacional, como mudanças na legislação, carga tributária elevada e debates sobre jornada de trabalho, fatores que impactam diretamente o planejamento empresarial.



