Quem fala sobre essa escolha na hora do voto e traz os prós e contras é Bruno Silva na coluna ‘De Olho na Política’
O conceito de voto útil tem ganhado destaque nas discussões eleitorais, Seu candidato aparece sem chances de vencer nas pesquisas? Será que o ‘voto útil’ é uma opção?, especialmente em contextos de eleições polarizadas. Tecnicamente, o voto útil ocorre quando o eleitor decide não votar no candidato de sua preferência inicial para evitar a vitória de um adversário considerado pior ou um mal maior. Essa estratégia é adotada para influenciar o resultado eleitoral, direcionando votos para candidatos com maior chance de avançar ou vencer.
Contexto e exemplos recentes: Nas eleições nacionais de 2022, por exemplo, o voto útil foi uma estratégia utilizada por eleitores que, diante da polarização entre os principais candidatos, optaram por apoiar aquele que julgavam ter mais chances de derrotar o adversário indesejado. Na reta final da campanha, o então candidato Lula fez apelos para esse tipo de voto, o que quase lhe garantiu a vitória no primeiro turno. No entanto, a eleição foi para o segundo turno, e o concorrente Jair Bolsonaro conseguiu ampliar sua base de votos, resultando em uma disputa acirrada e uma vitória apertada de Lula.
Voto útil nas eleições municipais
Nas eleições municipais, o cenário costuma ser diferente. Em muitas cidades, especialmente as menores, não há segundo turno, o que limita a aplicação da estratégia do voto útil. A legislação brasileira determina que o segundo turno ocorra apenas em municípios com mais de 200 mil eleitores, o que exclui a maioria dos municípios, que possuem até 50 mil habitantes. Nessas localidades, vence o candidato que obtiver a maioria simples dos votos, tornando a disputa mais direta e menos suscetível a estratégias de voto útil.
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Em capitais e grandes cidades, onde o segundo turno é possível, o voto útil pode surgir em contextos de polarização ou quando há equilíbrio entre candidatos. Entretanto, em cidades como São Paulo e outras da região, o cenário eleitoral é mais fragmentado, com três ou mais candidatos tecnicamente empatados nas pesquisas. Isso dificulta a formação de blocos eleitorais claros e a migração de votos entre candidatos, tornando o voto útil menos evidente ou eficaz.
Considerações para o eleitor: Especialistas recomendam que, a menos de duas semanas das eleições, os eleitores aproveitem esse período para analisar cuidadosamente as propostas dos candidatos, o histórico das campanhas e a viabilidade das soluções apresentadas para os problemas locais. A decisão do voto envolve fatores racionais e subjetivos, incluindo identificação com partidos, políticos, tradições e avaliações emocionais.
É importante que o eleitor mantenha a tranquilidade e avalie todas as opções disponíveis, evitando decisões precipitadas baseadas apenas em pesquisas ou apelos por voto útil. A escolha consciente deve considerar a coerência das propostas e a capacidade dos candidatos de implementar políticas eficazes.
Esclarecimentos sobre o voto e sua importância
Uma dúvida comum entre eleitores é a ideia de que votar em candidatos menos competitivos seria uma “perda de voto”. Essa concepção é incorreta, pois todo voto tem valor e contribui para o processo democrático. Em municípios sem segundo turno, por exemplo, cada voto pode ser decisivo para a vitória do candidato escolhido.
Campanhas eleitorais podem fazer apelos para o voto útil quando acreditam que isso pode garantir a passagem para o segundo turno ou fortalecer a posição de um candidato. No entanto, essa estratégia depende do contexto político local e da dinâmica eleitoral, não sendo uma regra geral.
Informações adicionais
Segundo a legislação eleitoral brasileira, o segundo turno é obrigatório em municípios com mais de 200 mil eleitores, e o candidato vencedor deve obter mais de 50% dos votos válidos. Em municípios menores, vence quem obtiver a maioria simples, o que influencia diretamente as estratégias eleitorais adotadas pelos candidatos e eleitores.
Nas eleições municipais de 2024, o cenário permanece aberto em muitas cidades, com pesquisas indicando equilíbrio entre candidatos em algumas capitais, enquanto em outras regiões a disputa é mais fragmentada. O voto consciente e informado é fundamental para fortalecer a democracia e garantir a escolha de representantes alinhados aos interesses da população.