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Sinais de agressividade de pais podem identificar transtornos psicológicos

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Agressividade de pais
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A trágica morte de Adriano Ramos, de 5 anos, após ser vítima de agressões maternas que resultaram em traumatismo craniano, provocou forte comoção tanto na comunidade local quanto em todo o país.

A Perspectiva da Psicopatia e Transtornos de Personalidade

Sérgio Codato, coordenador do Observatório da Violência da USP de Ribeirão Preto, oferece uma análise sobre o perfil psicológico por trás de atos de violência contra crianças. Segundo ele, indivíduos que recorrem à violência contra os próprios filhos por motivos banais podem manifestar transtornos de personalidade. Codato explica que experiências de violência na infância podem moldar um padrão de comportamento agressivo, onde a pessoa internaliza a violência como uma forma de interação.

O especialista sugere que, em casos extremos, a mãe agressora pode apresentar traços de psicopatia ou sociopatia, caracterizando uma forma de infanticídio gradual. Ele também menciona o transtorno explosivo intermitente, onde a pessoa perde o controle e age impulsivamente. Codato enfatiza a necessidade de tratamento medicamentoso e terapêutico para esses casos, comparando a agressividade a uma forma de “epilepsia para fora”, onde a pessoa acumula e descarrega a raiva de maneira explosiva.

Crise Civilizatória e a Perda do Instinto Materno

Codato associa o comportamento da mãe a uma crise civilizatória, onde valores fundamentais como a proteção da prole são distorcidos. Ele lamenta a inversão do instinto materno, onde o olhar de encanto e proteção é substituído por ódio e raiva, descarregados sobre a criança. O especialista sugere que a mãe pode estar projetando outras figuras na criança, desencadeando um surto de agressividade. Em casos de transtorno psicopático, a agressão se torna uma forma de exercer poder e obter prazer.

Codato também ressalta que o caso de Adriano poderia ter sido evitado, já que o Conselho Tutelar havia sido acionado. Ele critica a falta de eficiência do sistema de proteção à criança, desde a detecção de casos de violência na escola até a atuação do Conselho Tutelar. Para ele, a morte de Adriano é uma “crônica de uma morte anunciada”.

Enurese/Encoprese Infantil e o Alerta da Psicóloga

A mãe alegou que agrediu o filho porque ele não pediu para ir ao banheiro e sujou as roupas. A psicóloga Silvana Módulo D’orbete, especialista em atendimento infantil, adverte sobre a importância de compreender as causas da enurese (xixi na cama) ou encoprese (escape de fezes) em crianças. Ela explica que o controle dos esfíncteres é um processo em desenvolvimento até os 5 anos de idade, e perdas de controle podem ocorrer devido a fatores emocionais.

A psicóloga destaca que situações de estresse, dificuldades familiares ou problemas na escola podem levar a criança a perder o controle dos esfíncteres, especialmente se ela tiver dificuldade em expressar suas emoções verbalmente. Ela também alerta para o comportamento de reter as necessidades fisiológicas, que pode ser um sinal de sofrimento emocional ou resultado de uma educação rígida. Silvana enfatiza a importância de procurar ajuda médica e psicológica para investigar as causas da enurese/encoprese e evitar punições ou cobranças excessivas, que podem agravar o problema.

O episódio serve como um doloroso lembrete da importância de fortalecer as redes de proteção à infância e promover a conscientização sobre a saúde mental e emocional das crianças.

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