Vítima recebeu medicamentos para gases e morreu por infecção nos rins; investigação analisa possíveis atos de impruência
A morte de Fernando Garcia, 55 anos, após atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Ribeirão Preto, desencadeou uma investigação que aponta para possíveis falhas no atendimento médico. O caso, ocorrido há quase dois anos, levanta questões sobre a sobrecarga de trabalho dos profissionais de saúde e a qualidade do atendimento prestado à população.
A Saga do Atendimento e o Desfecho Trágico
Fernando Garcia procurou a UPA da Avenida 13 de Maio com fortes dores abdominais. Após exames iniciais e prescrição de medicamentos para gases, seu quadro não apresentou melhora. As idas e vindas à UPA se repetiram por três vezes, até que, em estado grave, foi transferido para o Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto. Submetido a uma cirurgia para a retirada de um dos rins, Fernando não resistiu e faleceu cinco dias após o procedimento. A causa da morte foi apontada como choque séptico e infecção renal grave.
Sindicância Aponta Indícios de Negligência
Diante da gravidade do caso, a Prefeitura de Ribeirão Preto instaurou uma sindicância que revelou indícios de imprudência e imperícia no atendimento a Fernando Garcia. O relatório da sindicância será encaminhado à comissão de ética da Secretaria da Saúde, ao Conselho Regional de Medicina (Cremesp) e ao Ministério Público. Em depoimento à polícia, um dos médicos da UPA confessou que estava de plantão há 36 horas quando atendeu Fernando, uma prática que contraria as recomendações do Cremesp.
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Recomendações do Cremesp e Busca por Justiça
O conselheiro do Cremesp, Eduardo Luiz Bin, ressaltou a importância de os médicos não ultrapassarem as 24 horas de plantão, devido ao desgaste físico, emocional e psicológico. A sindicância do Cremesp deve ser concluída em breve, e as partes envolvidas serão comunicadas sobre as decisões tomadas. A família de Fernando Garcia busca justiça e lamenta a perda do ente querido. O filho de Fernando relatou que a doença evoluiu rapidamente, tornando-se incontrolável, e que um diagnóstico precoce poderia ter aumentado as chances de sobrevivência do pai.
Investigações em Andamento
A Corregedoria da Polícia informou que as investigações sobre a morte de Fernando Garcia estão em fase de conclusão, aguardando o parecer final da sindicância do Cremesp para encaminhar o processo ao Ministério Público. A Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto declarou que não comentará o caso, pois já tomou as medidas necessárias.
O caso serve de alerta para a importância da qualidade e da atenção no atendimento médico, bem como para a necessidade de condições de trabalho adequadas para os profissionais de saúde.



