Unidade tem sido alvo de reclamações dos pacientes; duas servidoras do hospital são alvo de sindicância da prefeita Dárcy Vera
A recente visita da prefeita de Ribeirão Preto a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro Quintino Facci, zona norte da cidade, desencadeou uma série de eventos que expuseram desafios persistentes no sistema de saúde municipal. A situação, ocorrida na última quinta-feira, culminou na abertura de uma sindicância contra duas servidoras, acusadas de desacato à chefe do executivo, e reacendeu o debate sobre a qualidade e a eficiência do atendimento.
Superlotação e Demora no Atendimento
Na manhã desta segunda-feira, a UBS do Quintino Facci apresentava o quadro já conhecido pela população: superlotação e longas esperas. Pacientes relataram que, apesar das medidas anunciadas pela administração municipal, como a restrição ao uso de redes sociais durante o expediente, a situação pouco mudou. Um operador de manutenção, identificado como Wallace Rodrigo de Oliveira, relatou que sua esposa, com fortes dores de cabeça, enfrentou dificuldades devido à quebra do aparelho de raio-x na unidade. O casal precisou se deslocar até o centro para realizar o exame, mas, ao retornar, o atendimento não pôde ser continuado, segundo Oliveira, devido à troca de plantão.
Emergência Sob Questionamento e Aumento de Casos de Arboviroses
O setor de emergência também foi alvo de críticas. Maria Aparecida Guimarães, aposentada, expressou sua preocupação com a demora no atendimento à sua nora, que apresentava um quadro de infecção. A situação se agrava em um momento de aumento significativo nos casos de dengue, chikungunya e zika na cidade, sobrecarregando ainda mais o sistema de saúde. A prefeita Darci Vera, em declarações nas redes sociais, manifestou sua decepção com a conduta de alguns servidores, alegando que a discussão com as funcionárias ocorreu durante um contato telefônico com a unidade.
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Sindicato Contesta e Aponta Falta de Estrutura
Wagner Rodrigues, presidente do sindicato dos servidores, questiona a abertura da sindicância e defende que o município possui órgãos competentes para avaliar a qualidade do atendimento. Ele ressalta que a prioridade deve ser sempre o paciente e que existem fóruns adequados para tratar de questões administrativas e de qualidade do serviço. Rodrigues também denuncia a falta de estrutura e de materiais essenciais como os principais responsáveis pelas deficiências no sistema de saúde, mencionando a carência de equipamentos, pessoal, materiais de higiene e medicamentos.
Em resposta às queixas, a Secretaria de Saúde informou que a assistência técnica para o aparelho de raio-x já foi acionada e aguarda a chegada de uma peça para o conserto. Quanto à denúncia de prontuário perdido, a assessoria da prefeitura negou o problema e afirmou que a paciente foi devidamente medicada e liberada.



