A ardência nos olhos, a sensação de areia, o lacrimejamento e a visão embaçada deixaram de ser queixas restritas aos adultos e idosos. Cada vez mais comuns também entre crianças e jovens, esses sintomas estão ligados ao aumento do tempo diante das telas e à chamada síndrome do olho seco associada à fadiga ocular digital.
Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, o oftalmologista Marcelo Jordão explicou que o problema se tornou uma das principais causas de consultas oftalmológicas. Segundo ele, mudanças comportamentais, ambientais e fisiológicas ajudam a explicar o crescimento dos casos, especialmente na era digital.
Uso de telas
O uso intensivo de celulares, computadores e tablets reduz a frequência do piscar em até 60%, o que compromete a estabilidade da lágrima e favorece o ressecamento ocular. Ambientes fechados, com ar-condicionado e baixa umidade do ar, também agravam o quadro.
De acordo com o especialista, essa combinação provoca sintomas como olhos vermelhos, embaçamento visual, irritação e lacrimejamento excessivo. A situação é agravada por fatores como estresse, privação de sono e hábitos modernos que sobrecarregam a visão ao longo do dia.
O oftalmologista destaca que crianças têm sido expostas às telas cada vez mais cedo, o que exige atenção redobrada dos pais e responsáveis, além de medidas preventivas desde a infância.
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Sintomas comuns
Entre os principais sinais de alerta estão olhos cansados, sensação de areia, vermelhidão e dificuldade de concentração visual. Em muitos casos, os sintomas aparecem após longos períodos de uso de dispositivos eletrônicos.
Segundo Marcelo Jordão, quando o olho seco está relacionado principalmente ao uso de telas e ao ambiente, dificilmente causa danos permanentes à visão, desde que haja mudança de hábitos. O risco aumenta quando o problema está associado a doenças específicas ou quando os sintomas são ignorados por longos períodos.
A persistência do desconforto é um indicativo de que não se trata apenas de cansaço ocular momentâneo, mas de um quadro que merece avaliação especializada.
Uso de colírios
O médico faz um alerta sobre a automedicação. Colírios lubrificantes podem ser utilizados, mas sempre com orientação profissional. O problema, segundo ele, é o uso indiscriminado de colírios com corticoides ou antibióticos.
Esses medicamentos, quando usados sem prescrição, podem causar efeitos colaterais importantes, como aumento da pressão intraocular e até catarata. Por isso, a recomendação é procurar um oftalmologista antes de recorrer à farmácia.
Além disso, o especialista orienta evitar o jato direto do ar-condicionado nos olhos e, sempre que possível, utilizar umidificadores para melhorar a umidade do ambiente.
Prevenção diária
Entre as medidas preventivas, o oftalmologista recomenda a regra 20-20, a cada 20 minutos diante da tela, olhar por 20 segundos para um ponto a cerca de seis metros de distância. A prática ajuda a relaxar a musculatura ocular.
Piscar com mais frequência, manter boa hidratação, dormir bem e realizar a higiene das pálpebras também são hábitos importantes. Consultas regulares ao oftalmologista, ao menos uma vez por ano, ajudam a identificar precocemente alterações na saúde dos olhos.
O especialista reforça que, ao surgirem sintomas persistentes, o ideal é buscar avaliação médica antes de qualquer tentativa de tratamento por conta própria.



