Silas Nogueira conversou com a CBN Ribeirão
Ribeirão Preto — O sociólogo Silas Nogueira avaliou, nesta quinta-feira, os possíveis impactos da eventual cassação da prefeita Darcy Vera e do vice-prefeito Marinho Sampaio. O julgamento, marcado para as 15 horas em São Paulo, pode, segundo ele, aprofundar problemas que já são crônicos na cidade caso haja condenação.
Julgamento e risco de instabilidade administrativa
Para Nogueira, a perda do comando municipal tende a gerar instabilidade administrativa num momento de fragilidade de serviços e infraestrutura. Ele alerta, porém, que a substituição por gestores de outras legendas — citando o PSDB como hipótese — dificilmente provocaria rupturas nas políticas públicas locais, já que, na avaliação do pesquisador, os principais partidos adotam modelos de gestão com semelhanças importantes.
Problemas estruturais e modelo de gestão
O sociólogo associa a atual crise municipal a questões estruturais persistentes: déficit habitacional com expansão de favelas, transporte público deficiente, escassez de água e aumento da violência. Parte dessas falhas, afirma Nogueira, deriva de um modelo de gestão que privilegia terceirização e a presença marcante do capital privado, reduzindo a capacidade do setor público de formular e executar políticas eficazes.
Repercussões políticas e o papel da sociedade
Além do impacto administrativo, o especialista aponta possíveis rearranjos na Câmara Municipal. Uma condenação poderia desencadear movimentações motivadas por interesses eleitorais e alianças pontuais, o que alteraria o equilíbrio político local no curto prazo. Ainda assim, Nogueira ressalta que mudanças duradouras dependem da pressão de movimentos sociais organizados e de maior mobilização da sociedade civil.
Ele observa, também, que a ampla coligação que sustenta o Executivo, incluindo partidos como o PT, tende a enfraquecer mecanismos de fiscalização, o que dificulta correções de rumo por vias institucionais tradicionais.
O resultado do julgamento pode, portanto, reconfigurar o cenário político imediato em Ribeirão Preto. Enfrentar as mazelas urbanas, no entanto, exigirá algo além da troca de lideranças: será preciso reforçar a participação cidadã e redesenhar prioridades de gestão para encaminhar soluções estruturais.



