Ouça a coluna ‘Cerveja de Conteúdo’ com Carlos Braghin
A história da cerveja está intrinsecamente ligada à figura feminina, um fato muitas vezes esquecido. Desde as civilizações antigas, a produção de cerveja era uma atividade doméstica, essencialmente feminina, responsável pela alimentação da comunidade.
Deusas e a Cerveja: Um elo ancestral
Em sociedades politeístas, deusas associadas à alimentação e à cerveja eram reverenciadas, demonstrando a importância da mulher nesse processo. Ninkasi, a deusa suméria da cerveja, é um exemplo emblemático dessa ligação.
Mulheres Cervejeiras na Idade Média: Entre a tradição e a lenda
Na Idade Média, na Inglaterra, mulheres que produziam cerveja de alta qualidade em suas casas eram respeitadas. Elas utilizavam ferramentas e elementos que, posteriormente, foram associados à figura da bruxa: o chapéu pontudo, a vassoura (para limpeza), e até mesmo um gato para controlar roedores. Essa associação, porém, obscureceu a verdadeira importância dessas mulheres cervejeiras, muitas vezes condenadas injustamente sob a acusação de bruxaria.
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O Legado Feminino na Cerveja: Uma História a ser Recontada
A participação feminina na produção de cerveja é um legado histórico rico e complexo. Museus, como o Museu do Louvre, apresentam estatuetas que retratam mulheres fabricando cerveja, evidenciando a sua presença fundamental ao longo dos séculos. Elementos como a “varia de condão”, um graveto utilizado para mexer a cerveja e transferir leveduras, demonstram o profundo conhecimento técnico das mulheres cervejeiras. Resgatar essa história é fundamental para reconhecer a contribuição feminina para a cultura cervejeira e para desmistificar a imagem distorcida que a história, muitas vezes, perpetuou.