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Substância que promete curar o câncer gera polêmica e é tema do Almanaque CBN

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curar o câncer
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A controvérsia em torno do uso da fosfoetanolamina sintética, desenvolvida por um professor aposentado da USP São Carlos como uma possível cura para o câncer, reacende debates éticos e científicos. Este artigo explora os principais pontos levantados em uma discussão com especialistas, abordando desde a eficácia não comprovada da substância até as implicações legais e éticas de sua distribuição.

A Perspectiva Científica e a Ação da Fosfoetanolamina

Segundo o professor Gilberto Chierice, responsável pela pesquisa, a fosfoetanolamina atuaria como um “alimento” para as células cancerígenas, diferenciando-as e expondo-as ao sistema imunológico. Ele compara a ação da substância a colocar “gasolina de avião” em um motor precário, energizando a célula a ponto de causar a explosão da mitocôndria, o que levaria à apoptose, ou morte celular programada. O sistema imunológico, então, metabolizaria e eliminaria as células tumorais, levando à diminuição do tumor e, em alguns casos, ao desaparecimento do câncer. No entanto, é crucial notar que essas alegações carecem de comprovação científica robusta.

Os Desafios Legais e Éticos

A distribuição da fosfoetanolamina, impulsionada por mandados judiciais, levanta sérias questões éticas e legais. A liberação de uma substância sem eficácia comprovada e sem a devida aprovação para tratamento expõe pacientes a riscos desconhecidos. A decisão judicial, baseada em relatos de melhora em pacientes terminais, é considerada vaga do ponto de vista médico, uma vez que a terminalidade, definida pela OMS, abrange um período variável. A universidade, ao permitir a produção e distribuição da substância, também enfrenta questionamentos éticos, especialmente em relação à sua responsabilidade caso surjam efeitos graves.

O Papel da Indústria Farmacêutica e a Busca por Tratamentos Paliativos

A alegação de que a indústria farmacêutica impede a divulgação de curas para o câncer é refutada pelos especialistas. Pelo contrário, uma molécula milagrosa que curasse todos os tipos de câncer representaria um enorme interesse econômico para a indústria. No entanto, o desenvolvimento de medicamentos passa por fases de pesquisa clínica rigorosas, que demandam tempo e investimento significativo. Em vez de focar em curas milagrosas, é fundamental investir em tratamentos paliativos, que visam aliviar a dor e o sofrimento dos pacientes, proporcionando qualidade de vida e dignidade em momentos difíceis.

Em suma, a discussão sobre a fosfoetanolamina destaca a importância de decisões médicas e judiciais embasadas em evidências científicas, bem como a necessidade de um debate ético sobre o acesso a tratamentos não comprovados. A prioridade deve ser o bem-estar do paciente, com foco em cuidados paliativos e na busca por tratamentos eficazes e seguros.

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