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Suicídio: tratado como tabu, mas que deveria ser amplamente debatido

Psicóloga Danielle Zeoti reforça que se trata de um problema de saúde pública e fala da importância da campanha Setembro Amarelo
Suicídio: tratado como tabu
Psicóloga Danielle Zeoti reforça que se trata de um problema de saúde pública e fala da importância da campanha Setembro Amarelo

Psicóloga Danielle Zeoti reforça que se trata de um problema de saúde pública e fala da importância da campanha Setembro Amarelo

Setembro é marcado pela campanha Setembro Amarelo, Suicídio: tratado como tabu, mas que deveria ser amplamente debatido, voltada para a prevenção e conscientização sobre o suicídio, um grave problema de saúde pública. A psicóloga Daniela Zeotti participou do programa CBN Comportamento para discutir o tema, destacando a importância de falar abertamente sobre o assunto para ajudar na prevenção.

Quebra de tabus e importância da comunicação

Segundo Daniela Zeotti, o suicídio ainda é um tema cercado de tabus, mas nos últimos anos houve uma mudança significativa na forma como ele é abordado na mídia e na sociedade. Antes, acreditava-se que falar sobre suicídio poderia incentivar novos casos, porém estudos científicos refutam essa ideia, demonstrando que a divulgação responsável do tema é um dos principais instrumentos para a prevenção.

“Falar sobre suicídio com meus filhos, com quem eu amo, nas escolas, nas empresas, aqui na rádio, não vai induzir a novos casos de suicídio”, afirmou a psicóloga.

Relação entre transtornos mentais e suicídio: Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria indicam que até 98,9%, e em alguns estudos até 99%, dos casos de suicídio consumado envolvem pessoas com transtornos mentais, muitas vezes não diagnosticados ou não tratados adequadamente. Daniela explica que o suicídio geralmente é resultado de uma doença mental que pode vencer o tratamento, mas que o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são fundamentais para a prevenção.

“Ninguém acorda num dia cinzento de domingo e decide se matar. Essa pessoa vinha adoecida e adoecendo cada vez mais”, destacou.

Sinais de alerta e como agir: A psicóloga ressaltou que a maioria das pessoas que cometem suicídio dá sinais prévios, como mudanças no comportamento, isolamento social, baixo rendimento escolar ou profissional, e problemas de relacionamento. Entre crianças e adolescentes, o bullying e ambientes familiares conflituosos são fatores de risco importantes. Em adultos, perdas financeiras, separações e doenças crônicas também são marcadores relevantes.

Ela enfatizou que, ao perceber esses sinais, é fundamental encaminhar a pessoa para um profissional de saúde mental. No caso de adolescentes que manifestam intenção de suicídio, a recomendação é buscar imediatamente a ajuda de um adulto responsável, como um professor ou familiar, para que medidas adequadas sejam tomadas.

“Quando um amigo seu, adolescente, fala que vai se matar, você acolhe e imediatamente, no mesmo dia, você vai acionar um adulto”, orientou Daniela.

Prevenção diária e apoio contínuo

Daniela Zeotti destacou que a prevenção deve ser uma prática constante e que conversar sobre o suicídio de forma clara e sem medo deve começar cedo, inclusive com crianças. Ela reforça que a dor extrema que leva ao suicídio pode ser tratada e que há esperança para quem sofre.

“Se você sentir que não tem jeito à vida, que não tem saída, fale comigo. Eu te juro que tem”, afirmou.

Ela também mencionou que pacientes com tentativas graves de suicídio respondem bem à psicoterapia e à medicação adequada.

Recursos disponíveis para momentos de crise: Para quem enfrenta uma crise, Daniela indicou o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia. Além disso, em casos de urgência, é possível buscar atendimento em emergências hospitalares, Unidades de Pronto Atendimento (UPA) ou postos de saúde, pois a ideação suicida é considerada uma emergência em saúde mental.

Informações adicionais

O Setembro Amarelo é uma iniciativa que visa estimular a conversa aberta sobre suicídio para reduzir o número de casos. A prevenção envolve a identificação precoce dos sinais, o apoio social e o acesso a tratamentos adequados. É fundamental desmistificar o tema para que mais pessoas possam buscar ajuda e receber o suporte necessário.

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