Psicóloga Danielle Zeoti explica o que leva às pessoas a acreditar nas crendices, que são baseadas em coincidências eventuais
Superstições: proteção ou transtorno mental?
O poder psicológico das superstições
Muitas pessoas recorrem a superstições como forma de lidar com a ansiedade e inseguranças do cotidiano. Práticas como não passar por baixo de escadas, carregar arruda ou pular sete ondas são exemplos de rituais que, para alguns, trazem uma sensação de controle e proteção. Do ponto de vista psicológico, esses rituais funcionam como mecanismos de enfrentamento, diminuindo a ansiedade e proporcionando uma sensação de segurança. A crença na eficácia da superstição, em si, é o que importa, atuando como um ritual que promove bem-estar.
Quando a superstição se torna um problema
Embora possam ser benéficas em doses moderadas, as superstições podem se tornar prejudiciais quando se transformam em obsessões. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um exemplo clássico disso. Neste caso, pensamentos intrusivos e angustiantes levam a rituais compulsivos que interferem na vida diária, no trabalho, nos relacionamentos e na qualidade de vida. A diferença crucial está na perda de controle e no sofrimento causado pela repetição dos rituais, que se tornam uma prisão, em vez de uma forma de alívio.
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Supertições e saúde mental: buscando o equilíbrio
O equilíbrio é fundamental. Superstições que trazem conforto e segurança sem prejudicar a vida da pessoa são saudáveis. No entanto, se os rituais começam a consumir grande parte do tempo, causando atrasos, prejuízos e sofrimento, é sinal de alerta. Nesses casos, procurar ajuda profissional é essencial. Existem tratamentos eficazes para o TOC, como psicoterapia cognitivo-comportamental e medicação, que podem ajudar a controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida. O importante é reconhecer quando uma superstição se transforma em um problema e buscar ajuda para lidar com a situação.