O Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) o uso do venetoclax em combinação com azacitidina para o tratamento de adultos com leucemia mieloide aguda (LMA) recém-diagnosticada que não podem ser submetidos à quimioterapia intensiva. A decisão foi publicada nesta semana e, segundo a portaria, as áreas técnicas terão até 180 dias para efetivar a oferta do tratamento na rede pública.
A medida é considerada um avanço importante no combate à doença, especialmente para pacientes idosos ou com condições clínicas que impedem o uso da quimioterapia convencional. Em entrevista à CBN Ribeirão, a médica hematologista Dra. Sarah Bassi destacou que a incorporação amplia o acesso a terapias modernas e reduz desigualdades entre pacientes da rede pública e privada.
Novo tratamento
A leucemia mieloide aguda é um câncer do sangue e da medula óssea, caracterizado pela proliferação rápida de células anormais, impedindo a produção adequada das células sanguíneas normais. Segundo a especialista, trata-se de uma doença agressiva, que exige diagnóstico e tratamento rápidos.
O venetoclax combinado com azacitidina surge como alternativa para pacientes que não toleram quimioterapia intensiva, principalmente idosos acima de 75 anos ou pessoas com maior fragilidade clínica. A terapia atua de forma direcionada sobre as células tumorais, reduzindo sua capacidade de sobrevivência e tornando-as mais sensíveis ao tratamento.
Na prática, o venetoclax bloqueia mecanismos que impedem a morte natural das células cancerígenas, enquanto a azacitidina ajuda a reprogramar essas células, tornando a doença menos agressiva. A combinação tem mostrado aumento significativo da sobrevida e, em alguns casos, pode levar à cura.
Diagnóstico precoce
Embora a incorporação do medicamento represente um grande avanço, especialistas alertam que o diagnóstico precoce continua sendo essencial para melhorar as chances de resposta ao tratamento. O principal desafio ainda é garantir acesso rápido aos centros especializados.
O diagnóstico da leucemia mieloide aguda costuma começar com alterações detectadas em um hemograma, mas precisa ser confirmado por exames mais detalhados, incluindo avaliação da medula óssea. A doença pode causar anemia, queda de plaquetas e redução das células de defesa.
Entre os principais sintomas estão cansaço intenso, fadiga, falta de ar, infecções recorrentes, febre frequente, manchas roxas pelo corpo, sangramentos na boca ou nariz e aumento de gânglios ou do baço. A médica reforça que esses sinais não devem ser ignorados, especialmente quando persistentes.
Desafio SUS
Apesar da aprovação, a efetivação do tratamento na rede pública ainda depende da distribuição do medicamento e da preparação das equipes médicas. O prazo previsto para implementação é de até seis meses.
Dra. Sarah destaca que o Brasil já possui centros de referência altamente capacitados para o tratamento da leucemia, inclusive pelo SUS. Segundo ela, o principal desafio agora é garantir que a nova terapia chegue de forma eficiente a todos os pacientes que precisam.



