O motorista suspeito de arrastar uma cachorra até a morte em Igarapava, no interior de São Paulo, foi solto após passar por audiência de custódia nesta segunda-feira. Lourival Ribeiro da Silva, de 65 anos, havia sido preso em flagrante no domingo pelo crime de abuso de animais, mas recebeu liberdade provisória e vai responder ao processo fora da prisão.
Na delegacia, Lourival afirmou que não teria percebido o que estava acontecendo e atribuiu a responsabilidade ao neto, de 7 anos, que, segundo ele, teria amarrado a cachorra à caminhonete. A versão apresentada será apurada durante as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Investigação policial
De acordo com a polícia, o suspeito saiu de uma fazenda localizada às margens da vicinal que liga os distritos de Buritizal e Igarapava com a cachorra presa por fios ao para-choque do veículo. O trajeto percorreu cerca de sete quilômetros até a região central da cidade, onde o fio se rompeu próximo a uma agência bancária, a aproximadamente 300 metros de um posto de combustíveis.
A delegada responsável pelo caso, Ana Cláudia Fernandes Carvalho, informou que a polícia busca imagens de câmeras de segurança ao longo do percurso, além de outras testemunhas, para esclarecer se o motorista tinha conhecimento da situação durante o trajeto.
Testemunhas e revolta
Moradores que presenciaram a cena relataram tentativas de alertar o motorista sobre o que ocorria. Segundo testemunhas, houve buzinas, sinais de luz e até a tentativa de fechar o veículo para forçar a parada. A cachorra, que estava prenha, chegou a ser socorrida, mas morreu, assim como os dez filhotes.
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O caso gerou revolta na cidade. Pessoas que acompanharam a ocorrência relataram choque diante da crueldade e cobraram punição ao responsável. O episódio reacendeu o debate sobre maus-tratos contra animais e a responsabilização dos tutores.
Responsabilidade legal
Para a presidente da Comissão de Direitos dos Animais da OAB de Ribeirão Preto, Fabíola Coelho, a decisão judicial pode ter considerado que o suspeito não representa risco imediato à sociedade. Ainda assim, ela reforçou que a liberdade provisória não significa absolvição e que o processo segue em andamento.
Segundo Fabíola, mesmo que a versão apresentada pelo suspeito seja confirmada, a responsabilidade legal continua sendo do adulto. A obrigação de cuidar e zelar pelo animal é sempre do tutor, independentemente da participação de terceiros, especialmente quando se trata de uma criança.



