Quem fala da importância da vacinação para evitar doenças é o infectologista do HC, Fernando Crivelenti
Há quase uma década o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina contra o papilomavírus humano (HPV), um vírus transmitido principalmente por via sexual. Considerada a estratégia mais eficaz para prevenir alguns tipos de câncer — em especial o de colo do útero — a imunização ainda registra adesão aquém do esperado no Brasil, segundo especialistas ouvidos em programa de rádio com o infectologista Fernando Crivelente, do H.C.
Por que vacinar meninos e meninas?
A vacina é indicada para crianças e adolescentes e protege contra os sorotipos de HPV mais associados a lesões que podem evoluir para câncer. “É uma das poucas vacinas que previnem câncer”, afirma Crivelente. O especialista lembra que a imunização não se destina apenas às meninas: vacinar meninos reduz a transmissão do vírus e também protege contra cânceres que acometem o homem, como o de pênis.
Além do benefício individual, a proteção ampla da população diminui a circulação do vírus e contribui para a queda de casos futuros de câncer cervical. Exemplos internacionais, como o da Escócia, onde a alta cobertura vacinal levou à virtual eliminação dos casos de câncer de colo do útero relacionados ao HPV, reforçam o impacto da medida.
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Quem deve receber a vacina e qual o esquema?
O esquema padrão pelo SUS prevê duas doses para crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos, idealmente antes do início da vida sexual, quando há maior probabilidade de ainda não ter ocorrido exposição ao vírus. Para pessoas vacinadas a partir dos 15 anos — ou com condições que comprometem a imunidade, como transplante de órgão sólido, quimioterapia ou infecção por HIV — o esquema recomendado é de três doses.
Crivelente esclarece que nem todos os sorotipos de HPV causam câncer e que, embora a vacina não cubra todos os tipos, ela protege contra a maioria dos genótipos responsáveis pelos casos de câncer de colo do útero. “Se vacinássemos todas as meninas na idade correta, provavelmente reduziríamos muito os casos futuros desse câncer”, disse o infectologista.
Segurança e desafios da adesão
Segundo o especialista, a vacina contra o HPV é segura, não contém vírus vivo (é de tecnologia recombinante) e os eventos adversos relatados são, em geral, leves, como dor no local da aplicação. “Não há contraindicação ampla; é uma vacina supersegura”, afirmou Crivelente, que citou ter vacinado a filha aos 9 anos e acompanhou apenas dor local temporária.
Apesar disso, a cobertura vacinal no Brasil permanece abaixo da meta de 80% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Profissionais de saúde apontam a desinformação e a circulação de mitos, amplificados por movimentos antivacina, como causas principais da baixa adesão. Ampliar campanhas de informação e facilitar o acesso à imunização são apontados como passos essenciais para reverter o quadro.
Especialistas e autoridades reforçam que a vacinação contra o HPV é uma medida de saúde pública comprovada para prevenir doenças graves e que aumentar a cobertura vacinal está ao alcance das políticas de prevenção.



